Vício Inerente (2014)

Titulo original: Inherent Vice

Origem: EUA

Direção: Paul Thomas Anderson

Roteiro: Paul Thomas Anderson, Thomas Pynchon (livro)

Com: Joachin Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Katherine Waterston, Joanna Newsom, Benicio Del Toro, Reese Whiterspoon

Alucinação, realidade, delírio, sonho… confusão. Essas foram as palavras que me acompanharam ao longo deste interessante e delirante filme-labirinto de Paul Thomas Anderson.

Filmado em grande parte em closes frontais, diretos, crus, invasivos, agressivos, às vezes incômodos pela maneira como invadem nosso espaço de espectador, Vício Inerente é, sem dúvida, um filme que não passa despercebido nem cai no esquecimento.

Baseado no livro homônimo de Thomas Pynchon, publicado em 2009, o filme instiga a um pensar constante. A palavra “espectador”, aliás, perde aqui um pouco seu sentido, já que não tem como ser passivo neste filme. É preciso um certo empenho e um certo esforço para tentar entender e acompanhar as reviravoltas deste labirinto místico que é Vício Inerente. E é aí que está a sua graça!

Entender o título é nosso primeiro desafio.

O filme conta a história de Doc (um Joachin Phoenix absolutamente magnífico), detetive particular, usuário de drogas, homem sem grandes ambições, hippie de corpo e alma (o figurino, aliás, é fantástico), morador de uma espelunca à beira-mar e que atende seus clientes em um consultório médico pra lá de esquisito.

A história se passa na Califórnia dos anos 1970 e mostra uma sociedade bem dividida entre os hippies usuários de drogas, defensores das liberdades e do “paz e amor” e os conservadores “limpos”, establishement preocupado em ganhar dinheiro e em construir um futuro melhor (pra quem?).

Doc vai ser então levado por sua ex-namorada Shasta (Katherine Waterstone) – delírio ou realidade? – a tentar desvendar o desaparecimento de um grande empresário do ramo imobiliário, por acaso seu amante, desatando o nó (ou apertando-o ainda mais) de uma complicada rede de venda de drogas, que envolve a China e as indústrias odontológica e imobiliária ali da região.

Para completar a confusão, a voz em off que permeia toda a história, tentando esclarecer um pouco o mistério – ou talvez lhe adicionando mais um complicador -, ganha vez por outra corpo na figura de Sortilège (Joanna Newsom), uma personagem que nunca sabemos ao certo se é real ou parte da imaginação delirante de Doc. Sua fala mansa, cheia de misticismos, dá um toque irônico e, ao mesmo tempo, nos embarca diretamente para aquele início de anos 70.

Filmado com textura e cores dos seventies, ritmado por uma trilha sonora excelente, sem exageros, assinada pelo britânico Jonny Greenwood, Vício Inerente é um filme que, apesar de confuso e longo, prende do começo ao fim. Talvez porque seja justamente um verdadeiro desafio à nossa inteligência tentar entender seu enredo.

Assistam e depois me digam o que entenderam!

By the way, o que aquela cena da “última ceia”, em que tudo acaba em pizza, está fazendo ali?

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Um filme PRA PENSAR. Ou PRA QUEBRAR A CABEÇA (acho que vou criar essa nova categoria… talvez possa incluir Inception, Cloud Atlas… quem dá mais?)

~ by Lilia Lustosa on March 22, 2015.

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