A Dama de Ferro (2011)

Título original: The Iron Lady  

Origem: Inglaterra

Diretor: Phyllida Lloyd

Roteiro: Abi Morgan

Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant, Alexandra Roach

Meryl Streep é o filme!!!!!

Desculpem-me a empolgação… mas não posso me conter em não começar esta crítica por enaltecer a brilhante interpretação de Meryl Streep em A Dama de Ferro (2011)!

Isto feito, posso passar ao filme em si, que, aliás, não fica pra trás. É excelente, lindo, interessante, bem construído. Um pouco mais (ou talvez um pouco menos) do que uma bela biografia!

A maneira pela qual a diretora Phyllida Lloyd escolheu para contar a vida de Margareth Thatcher é também brilhante. A história começa com a Dama de Ferro já idosa, viúva e de saúde frágil. Pouco a pouco, sua memória e seus fantasmas vão nos revelando – pelo ponto de vista da própria Thatcher – momentos de grande importância em sua vida. Momentos estes que vão, pouco a pouco, sendo alinhavados, costurados e transformados em sua interessantíssima biografia.

O viés é, no entanto, mais intimista e pessoal do que político. Não se trata de uma análise dos feitos e desfeitos da única Primeira Ministra mulher da Grã-Bretanha, mas, principalmente, de uma reflexão sobre a vida de Margareth Roberts que, na pele de Margareth Thatcher, lutou com todas as suas forças para fazer alguma diferença no mundo. E, não julgando seus erros e acertos, podemos afirmar que SIM, ela conseguiu.

A Dama de Ferro é de uma delicadeza e de uma beleza raras aos Biopics (filmes biográficos) em geral. A própria textura do filme é diferente. Mais próxima daquela usada no passado, com um granulado que dá um certo charme nostálgico à obra. O ritmo mais lento da narração também auxilia na criação dessa atmosfera delicada, suave e “azuladamente” feminina. Nós, espectadores, temos, assim, tempo suficiente para observarmos as reações de Thatcher  (brilhantemente transmitidas pela magnífica interpretação de Meryl Streep), para tentar ler seus pensamentos, medos, angústias e dúvidas na hora das grandes decisões de sua vida. Os primeiros planos, também bastante utilizados por Phyllida, servem igualmente para nos aproximar da Primeira Ministra, da mulher e da mãe (ausente) que foi Thatcher. Paira, assim, em todo o filme, um certo ar intimista, o qual se contrapõe, de certa forma, à figura pública, dura e distante da Dama de Ferro que estamos acostumados a ver. Como se de repente, a chegada da velhice e a perda do poder tivessem criado uma brecha para nos aproximarmos dessa grande dama.

Fora isso, vale ainda ressaltar que, assim como em outro lindo Biopic lançado também em 2011 e de título bem semelhante – The Lady (2011), cuja crítica pode ser lida neste mesmo site – o papel dos maridos, aparentemente coadjuvante, é, por certo, fundamental. A fidelidade, o amor e a lealdade desses homens é de uma beleza tamanha que me fazem até pensar naquele antigo ditado que prega que por trás de todo grande homem há uma grande mulher… Só que, obviamente, ao revés, em que diríamos: por trás (ou ao lado) dessas duas grandes mulheres existiram dois grandes homens, que ajudaram-nas a tornar possível o sonho de fazer a diferença neste mundão de meu Deus.

Muito mais do que apenas um filme biográfico (não desprezando esta categoria, claro), A Dama de Ferro é também um filme sobre poder, glória, conquistas, perdas, lutas, vaidade, superação, lealdade. Uma grande reflexão sobre o saber enxergar a hora de sair de cena, de deixar espaço para o novo; sobre a tomada e a perda do poder. Sem falar que é também uma bonita história de amor.

 Sem sombra de dúvidas, um filme imperdível! E Meryl Streep, uma fortíssima candidata ao Oscar de Melhor Atriz! Corram ao cinema!

~ by Lilia Lustosa on February 28, 2012.

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