Terapia de Risco (2013)

Veja o trailer do filme aqui!

Título original: Side effects   sideeff

Origem: EUA

Diretor: Steven Soderbergh

Roteiro: Scott Z. Burns

Com: Jude Law, Rooney Mara, Channing Tatum, Catherine Zeta Jones

Bela jovem de 28 anos, Emily Taylor (Rooney Mara), publicitária de olhar triste, reencontra seu marido Martin (Channing Tatum) que esteve na prisão nos últimos quatro anos, cumprindo pena por desvio ilícito de dinheiro. Apesar da alegria, fruto da liberdade recém conquistada pelo marido, a moça não consegue sair do quadro depressivo em que se encontra. Não enxergando solução para seu futuro, ela atenta contra sua própria vida e acaba indo parar no hospital, sob os cuidados de um psiquiatra competente e ambicioso, Dr. Jonathan Banks (o como sempre fantástico Jude Law). Orientada pelo médico, ela inicia então um tratamento com o mais novo medicamento “da praça”, que promete milagres mas tem efeitos colaterais perigosos. Depois de um certo tempo de tratamento, a jovem depressiva comete um crime grave. De quem é a culpa? Dela, do remédio ou do médico que o prescreveu?

Com essa trama, Terapia de Risco nos coloca no epicentro da guerra velada da indústria farmacêutica, com seus inúmeros jantares, congressos, viagens e brindes oferecidos aos psiquiatras em troca da indicação de suas mais novas e poderosas drogas. Ao mesmo tempo, o filme nos faz pensar sobre a  banalização do uso dos antidepressivos nos dias de hoje e ainda sobre a dificuldade que grande parte da humanidade encontra em administrar a vida em um mundo tão competitivo e cheio de exigências.  Mas tudo isso é só o pano de fundo para um thriller de primeira categoria, cheio de intrigas, mistérios e reviravoltas.

Explicitamente influenciado pelo universo reflexivo de Hitchcock, o filme, concebido para ser o penúltimo da carreira de Steven Soderbergh – que já anunciou sua aposentadoria, logo após a apresentação de Behind the Candelabra (2013),  filme sobre a vida do pianista Liberace, hoje em competição em Cannes – é intrigante, interessante, bem pensado esteticamente, mas, talvez, um pouco previsível demais para fãs do mestre do suspense.

Usando o próprio método hitchckoquiano de revelar ao espectador apenas parte dos fatos, Soderbergh joga com os reflexos de realidade,  mostra-nos objetos-pistas em close ao longo do filme e, assim, vai, pouco a pouco, conduzindo-nos por caminhos nebulosos, confundindo nossas cabeças e induzindo-nos a tirar conclusões (precipitadas) sobre os acontecimentos.

Por meio de uma mise-en-scène inteligente, cheia de filtros que alteram a cor real da vida, de lentes que desfocam imagens e de planos tomados por ângulos esdrúxulos, que invertem pontos de vistas (bem à la Hitchcock), o filme nos coloca, em vários momentos, na pele de um depressivo, deixando-nos aflitos, angustiados e sem chão. Ao mesmo tempo, coloca-nos ainda na pele de um Hercule Poirot ou de um Sherlock Holmes (para continuar no universo britânico do mistério), tentando juntar as peças desse crime-quebra-cabeça de resultado aparentemente tão “elementar”.

Bem ritmado, com um excelente trabalho de montagem, prendendo-nos do começo ao fim, Terapia de Risco tinha tudo para ser um perfeito filme de fim de carreira para o competente Steven Soderbergh (que, diga-se de passagem, ainda está muito jovem para parar de nos presentear com seus filmes). Pena que faltou algo. Um não sei o quê que fosse capaz de nos deixar de queixo caído. O filme parece que acaba antes de terminar. Falta-lhe mais uma reviravolta. Uma nova dobra. Um novo viés… Um algo mais que talvez só a mão do grande mestre Hitchcock possa realizar.

Um filme PRA FICAR TENSO.


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