O Lado Bom da Vida (2012)

Veja o trailer aqui!

Título original: Silver Linings Playbook   new-trailer-silver-linings-playbook-bradley-cooper-jennifer-laurence

Origem: EUA

Diretor: David O. Russell

Roteiro: David O. Russell

Com: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker

Uma comédia romântica (dramática) elegante, inteligente, sensível e encantadora!

Como o próprio título sugere, o último filme de David O. Russell nos faz enxergar a vida com bons olhos! Faz-nos ver o copo meio cheio, deixando-nos com aquele gostinho bom de felicidade na alma.

O filme – baseado no livro The Silver Linings Playbook (2008) de Matthew Quick – conta a história de Pat Solatano (irresistível Bradley Cooper), um ex-professor de história que sofre do hoje famoso transtorno bipolar. Após um período de oito meses internado em um hospital psiquiátrico, ele volta para a casa dos pais a fim de tentar se reintegrar à vida “normal”. Seu sonho (e obsessão)? Reconquistar sua esposa, recuperar seu emprego e ser feliz.

Acontece que no meio do caminho de Pat havia uma pedra (ou flor?!) chamada Tiffany, uma Jennifer Lawrence esbanjando charme e talento. Jovem viúva ninfomaníaca, que, de volta à casa dos pais, também sofre para se reintegrar à vida “normal” após perder o emprego, o marido e o rumo.

Essas duas almas perdidas se encontram e fazem, então,  um acordo de cooperação mútua: ela vai ajuda-lo a reconquistar sua esposa, funcionando como pombo-correio entre os dois; ele, em troca, compromete-se a participar com ela de um concurso de dança.

E é desse encontro desajeitado entre dois seres “atípicos” e de suas respectivas e semelhantes tentativas de se enquadrar no que a vida chama de normal que nasce a beleza de O Lado Bom da Vida.

Filmada com uma câmera nervosa, angustiada, que segue os personagens de maneira esquizofrênica, a primeira parte do filme é mais tensa, mais centrada em nos apresentar o mundo bipolar em que vive seu protagonista. Ela sobe e desce, vira para um lado e para o outro, de maneira brusca, inquieta, nervosa. Na cena do flashback, quando Pat conta sobre a noite em que atacou o amante de sua esposa, a sensação de desconforto é ainda maior devido a uma câmera subjetiva totalmente desnorteada. Sentimo-nos de fato na pele de Pat. Sentimos sua raiva, seu desespero e seu descontrole.

No entanto, à medida que as coisas vão se ajeitando na vida do rapaz, à medida que ele vai se acalmando, ou conseguindo controlar seus quadros de depressão ou mania, a câmera parece também suavizar seus movimentos. Os dois (câmera e protagonista) estão em sintonia. Ela já não se mexe mais de forma tão caótica, tão afogueada. Ele já não sofre mais crises tão severas. Mas isso acontece de forma sutil, gradativa, quase imperceptível.

A fotografia do filme não é tampouco exatamente a que se espera de uma comédia romântica hollywoodiana. Ela é mais fria, mais seca, menos glamorosa, menos cara. Sobretudo nas sequências do início, em que penetramos no mundo de sofrimento do protagonista. É bem verdade que David O. Russell segue mais a linha dos diretores independentes dos EUA – como Wes Andersen, do recente Moonrise Kingdom, ou Jonathan Dayton e Valerie Faris, de Pequena Miss Sunshine – fazendo menos uso de grandes “budgets” e mais uso do jogo de atores e dos diálogos trocados. E é esta, sem dúvida, a maior riqueza do filme.

Robert De Niro, no papel de pai de Pat, um fanático por futebol americano, colecionador de TOCs, está muito bem, leve, descontraído, até mesmo jovial. Jacki Weaver, por sua vez, no papel da mãe preocupada, super empenhada em ver o filho sair da crise, também está excelente.

Para completar esta bem sucedida comédia romântica (ou dramática) a trilha sonora assinada por Danny Elfman é excelente e expressa com precisão os vários sentimentos vividos no filme. Destaque para My Cherie Amour (1969), de Steve Wonder, leitmotiv do filme e desencadeador de uma enxurrada de sentimentos do protagonista Pat.

O Lado Bom da Vida é um filme bem equilibrado – ao contrário de seu tema bipolar – que sabe dosar com elegância o humor e o drama. Delicioso de se ver, é um filme PRA SE ENCANTAR e PRA SE DIVERTIR.


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