Summer of Soul (…ou, quando a Revolução não pôde ser televisionada), 2021

Origem: EUA

Título original: Summer of Soul (…or, when the revolution could not be televised)

Direção: Ahmir “Questlove” Thompson

Elenco: Stevie Wonder, Marilyn McCoo, Billy Davis Jr, Luis Miranda, Jesse Jackson

Se você é fã de blues, soul, gospel e de música boa em geral, pára tudo e corre para assistir a “Summer of Soul (…ou quando a revolução não pôde ser televisionada), 2021. Dirigido pelo músico e produtor musical Ahmir “Questlove” Thompson, o filme concorre ao Oscar de Melhor Documentário, já tendo levado o BAFTA desta categoria e de ainda estar indicado ao Grammy de Melhor Filme Musical.

Esses prêmios e nomeações não são à toa. O filme é arrepiante e mostra imagens praticamente desconhecidas de um festival organizado no Harlem em 1969, mesmo ano em que acontecia o famoso Woodstock, do qual todos temos notícias. Mas, como costuma acontecer com os eventos que envolvem negros, assim como com sua própria História, esse capítulo de 1969 foi simplesmente apagado das telas e dos livros, apesar de ter sido filmado por Hal Tulchin a pedido do produtor e apresentador do festival, Tony Lawrence. Foram mais de 40 horas de filmagem, só “redescobertas” em 2004 pelo arquivista do Historic Films Archive, Joe Lauro, que catalogou e digitalizou as imagens na esperança de um dia poder mostrá-las ao mundo.

O Harlem Cultural Festival, que era gratuito, aconteceu no Mount Morris Park (hoje Marcus Garvey Park), durou 6 semanas e reuniu cerca de 300.000 pessoas, em sua maioria negras. No palco, apresentavam-se personalidades hoje tão conhecidas como Stevie Wonder, com apenas 19 anos, BB King, já um clássico naquele então, a grandiosa Nina Simone e tantas outros nomes mais ou menos conhecidos. O nível musical ali exibido era algo de extraordinário! Com cada fim de semana dedicado a um ritmo – Soul, Blues, Jazz, Gospel… – tudo acontecia em épocas bastante tumultuadas, após os assassinatos de Martin Luther King, Malcom X e de outros defensores da igualdade de direitos dos negros no mundo. Para fazer a segurança do Festival, membros do Black Panthers foram acionados. Já não dava mais para arriscar vidas nessa batalha tão desigual. Ao mesmo tempo, não dava mais para aguentar tudo calado.

O documentário mistura imagens do Festival (essa é a maior parte, claro) com alguns depoimentos de artistas ou do público presentes naquele 1969, apresentando ainda um contexto histórico para o evento. Dali, se depreende que o Festival foi também uma forma que os líderes brancos encontraram para acalmar os nervos dos negros naquele período tão incendiário. Uma maneira de conter a raiva e a revolta daquele povo tão discriminado e sofrido. Mal percebiam esses líderes que estavam, na verdade, dando-lhes novas armas para um outro tipo de revolução. Uma revolução feita por meio da música, da criação, da arte, da emoção. “Mal percebiam” talvez não seja o verbo certo, já que, em algum ponto, eles perceberam sim a força do que estava acontecendo naquele parque, e por isso mesmo deram um jeito de sumir para sempre (ou quase) com aquelas imagens!

Um filme PRA APRENDER e PRA SE INDIGNAR.

Disponível no Star+ (México), Hulu (EUA) e em breve no Disney+ (Brasil).

~ by Lilia Lustosa on março 26, 2022.

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