Oxigênio (2021)

Título original: Oxygène

Origem: França / EUA

Direção: Alexandre Aja

Roteiro: Christie LeBlanc

Elenco: Mélanie Laurent, Matthieu Amalric (voz), Malik Zidi

Para os fãs de ficção científica, como eu, Oxigênio, de Alexandre Aja, é um achado na Netflix!

Um filme de respiração ofegante, filme-quebra-cabeça, em que MILO, um computador controlador, bem ao estilo HAL de 2001, Uma Odisséia no Espaço, vai determinar o destino da protagonista interpretada por Mélanie Laurent.

Quase todo composto de planos fechados, com muitos closes e corpos fragmentados, Oxigênio é um praticamente one-show-woman com alguns poucos atores que orbitam ao seu redor, na maioria das vezes fora do campo, ou em flashbacks que tentam dar sentido à sua história. Vale dizer que a atriz francesa dá um show de interpretação, sobretudo se considerarmos que ela quase só contracena com vozes, a principal sendo a de Matthieu Amalric, ator que dá vida a MILO.

Claustrofobicamente tenso desde seus primeiros minutos, o filme abre com uma tela negra se revezando com flashes de luz vermelha, acompanhados por uma trilha sonora com uma batida coração cada vez mais acelerada. Não dá para entender direito o que está acontecendo. Quem estaria ali naquela escuridão? Um prisioneiro? Uma cobaia de algum experimento? A medida que aumenta o ritmo da batida, mais imagens nos vão sendo reveladas. A tela escura vai aos poucos cedendo espaço para imagens confusas de alguém tentando romper uma espécie de casulo em busca de ar. Batendo em alguma barreira que a impede de sair dali. Falta espaço. Falta ar. Falta entendimento.

Já nas primeiras sequências aprendemos, porém, que o oxigênio é finito ali e que, como consequência, o tempo de vida da personagem também é limitado, praticamente coincidindo com o  tempo de duração do filme. Começa então a agonia, a luta contra o relógio para tentar sair daquele caixão criônico* que nunca vemos por fora. Estamos sempre junto da personagem, dentro daquele micro espaço, de onde só conseguimos enxergar fragmentos.

Mas à medida que o precioso tempo passa e o oxigênio diminui, vamos juntando as peças do quebra-cabeça e, junto com a personagem – que também desconhece a razão de estar ali naquela situação desesperadora – , vamos entendendo a história.

Não vou contar mais porque não quero dar spoilers e acho que esse é o tipo de filme em que é gostoso ir construindo o sentido a cada nova cena. Adianto, porém, que é um filme bem montado, que prende do início ao fim, com fotografia e trilha super bacanas, nos levando a refletir sobre essa eterna vontade do Homem de brincar de Deus. De querer sempre superar a natureza, mesmo que a copiando para atingir esse fim. Tema que automaticamente nos leva a pensar sobre a ética dos experimentos feitos em laboratórios e do uso de animais e de seres humanos para isso. 

Certamente, não é um tema novo, mas a experiência claustrofóbica foi extremamente bem sucedida em Oxigênio, em função dos enquadramentos e ângulos escolhidos, da fotografia de Maxime Alexandre, do movimento de câmera, da trilha e da excelente atuação de Mélanie Laurent. 

Fora alguns assuntos que poderiam ter sido aprofundados, o grande senão para mim fica por conta da cena final. Totalmente dispensável. Mesmo assim, recomendo Oxigênio para os amantes de ficção científica.

Um filme PRA PENSAR.

* Criônica é um real processo de conservação de animais e seres humanos em baixa temperatura. Usado em situações em que a ciência contemporânea não consegue mais mantê-los vivos, com o intuito de quem sabe um dia poder reverter o quadro. 

~ by Lilia Lustosa on junho 15, 2021.

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