Cruella (2021)

Título original: Cruella

Origem: EUA / Inglaterra

Direção: Graig Gillespie

Roteiro: Dana Fox, Tony McNamara

Elenco: Emma Stone, Emma Thompson, Joel Fry, Paul Walter Hauser, Kirby Howell-Baptiste, John McCrea

Nem só de filme-cabeça vive este blog! Hoje o assunto é o mais recente lançamento da Disney,  o live-action de Cruella. Um filme literalmente fantástico que me levou de volta àquela menina que fui, capaz de encantar-me com bicicletas que voam carregando alienígenas ou com um homem-voador super poderoso que vinha de Krypton, um planeta cheio de kryptonita verde… Um cinema-magia que me fazia esquecer o mundo à minha volta, transportando-me para outros lugares, outras vidas, outros tempos.

Esta última versão de Cruella fez isso comigo! Voei, viajei, sorri… 

Dirigido por Graig Gillespie (o mesmo do excelente Eu, Tonya, 2017), o novo Cruella vem bem diferente dos anteriores. Isso porque desde sua criação em 1956, quando a inglesa Dodie Smith lhe deu à luz para compor seu livro infantil “101 Dálmatas”, a vilã-caçadora-de-dálmatas já habitou várias histórias, várias peles e várias almas. O que nunca mudou foi seu cabelo bicolor, nem sua proximidade (pro bem ou pro mal) com os cachorrinhos igualmente bicolores.

Desta vez, porém, ao invés de perseguir os bichinhos para fazer de suas peles um casaco (inconcebível nos dias de hoje!), a ideia foi voltar à infância da vilã a fim de entender como seu caráter sombrio foi forjado ao longo dos anos. Um pouco do que aconteceu com a última versão de Coringa (2019), mas com uma approach bem menos violento, menos crítico da sociedade e muito mais fantasioso, o que o torna apto também para crianças e adolescentes. Aqui a vilã Cruella De Vil, magnificamente interpretada por Emma Stone, não é de todo má, alternando momentos de doçura e crueldade, numa espécie de bipolaridade que não nos deixa ficar com raiva por muito tempo. Até porque a outra vilã da história, a poderosíssima estilista Baronesa (uma sempre fantástica Emma Thompson), com quem a jovem Cruella, fashionista aspirante, vai por diversas vezes se confrontar é caricaturalmente má. Uma personagem típica dos contos de fadas adaptados pela Disney.

A história se passa em uma Londres dos anos 1970, bem industrial, com direito à chuva, fog e muitos tons de cinza, onde alguns dos personagens da trama original reaparecem, como Anita Dearly (Kirby Howell-Baptiste), amiga de escola de Cruella, que nesta versão vira uma jornalista na vida adulta. Assim como Horácio (Paul Walter Hauser) e Jasper (Joel Fry), antigos capangas da vilã, que, desta feita, são elevados à categoria de “família”, de irmãos que a vilã da Disney nunca teve. Dois personagens super carismáticos que dão toques de ternura e humor ao filme. 

Mas um dos maiores trunfos do Cruella de Graig Gillespie é mesmo o figurino maravilhosamente desenhado por Jenny Beavan, já ganhadora do Oscar por Mad Max: Estrada da Fúria (2015). Do street style inglês à elegante alta-costura dos anos 70 (inspirada em Balenciaga e Christian Dior, segunda a própria figurinista), ela nos brinda ainda com criações super originais, com uma pegada meio punk, que termina por combinar com a trilha sonora incrível (outro ponto forte do filme), composta por clássicos do rock, como Should I Stay Or Should I Go, do The Clash, e músicas originais, como Call me Cruella, de autoria da banda britânica Florence and The Machine. Uma playlist divina que embala e pode até fazer cantar na sala de cinema. (Sorry, confesso que cantei!)

Apesar de ter recebido algumas críticas negativas, que ressaltam o caráter mercantilista da empresa do pai de Mickey Mouse, que já teria feito esse filme pensando no sequel (que atire a primeira pedra o estúdio que nunca fez isso!), o novo Cruella tem excelente ritmo, trilha sonora incrível, figurino vencedor, grandes atuações, sendo ainda um filme super divertido, delicioso de ver e totalmente condizente com seu propósito de entretenimento.

PRA SE DIVERTIR

PS. Não saia da sala de cinema ou não desligue a tv antes de terminarem os créditos!

~ by Lilia Lustosa on junho 8, 2021.

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