Agente Duplo (2020)

Título original: El Agente Topo

Direção: Maite Alberdi

Roteiro: Maite Alberdi

Elenco: Sergio Chamy, Berta Ureta, Marta Olivares, Romulo Aitken, Petronila Abarca

Não há como não se apaixonar por esse espião de 83 anos de idade, protagonista de Agente Duplo, documentário chileno que concorre ao Oscar de Melhor Documentário em 2021 – único representante latino-americano da categoria e o primeiro chileno a receber essa indicação.

Dirigido por Maite Alberdi, Agente Duplo é um documentário de detetives, extremamente poético, que flerta o tempo todo com a ficção, buscando referências nos filmes de espionagem ou nos famosos films noirs e suas tantas sombras e persianas. Diferente daquelas produções hollywoodianas, porém, tudo o que vemos ali na tela é real. Não há atores. Não há ficção. Não há ensaios. Não há artificialidades. É a vida como ela é! 

Sergio Chamy, recém-viúvo, decide procurar uma ocupação para se distrair do sofrimento que o luto lhe impõe. Atraído por um anúncio de jornal que busca homens entre 80 e 90 anos de idade para um trabalho de 3 meses, ele acaba sendo contratado por uma filha para se infiltrar na casa de repousos onde mora sua mãe. O objetivo é descobrir se ela estaria sofrendo maus-tratos por parte dos funcionários daquela instituição.

Chegando lá, o “espião” Sérgio, munido de óculos e canetas-filmadoras, leva super a sério sua nova função, enviando áudios diariamente para o chefe Romulo, contando todos os detalhes observados. Aos poucos, ele vai se envolvendo com as histórias e as dores dos moradores daquela casa (e nós espectadores também), virando a companhia que eles não têm. Personagens vão nos sendo assim  apresentados e vamos acompanhando seu dia-a-dia. Tem a Marta, que tenta fugir todo dia para sua casa e não entende porque sua mãe não vem logo buscá-la. A Bertita, que se apaixona por Sergio e sonha em casar-se com ele. A poeta que declama seus poemas para os colegas no pátio. E tantos outros. A investigação vai ficando cada vez mais para segundo plano…

Agente Duplo parte assim de uma história insólita (mas real) para virar uma grande reflexão sobre o envelhecimento, sobre a solidão e o abandono. Por vezes divertido, por vezes dolorido, o documentário é fruto de um olhar delicado e sensível, talvez um olhar de filha, que mostra o isolamento e a não-integração dos “mayores” em uma sociedade que teme envelhecer. O filme de Maite Alberdi é, no final das contas, um bálsamo para o coração! Um lindo e forte candidato ao Oscar 2021, que mostra que a realidade pode ser ainda mais surpreendente do que a ficção! Além de fazer a gente querer sair correndo e dar um abraço bem apertado nos nossos velhinhos!!!!!!

PRA PENSAR E PRA SE EMOCIONAR

~ by Lilia Lustosa on março 25, 2021.

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