Sobre ontem à noite…

Infelizmente não consegui completar a tempo a série “Rumo ao Oscar”. No entanto, gostaria de compartilhar com vocês um pouco do Meu Olhar sobre a edição 2016 da premiação da Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas.

oscar 2016

A cerimônia de entrega do Oscar 2016 foi eminentemente política, marcada por protestos de todos os tipos… Alguns bem colocados, outros muito exagerados, alguns emocionantes, alguns desconcertantes, mas todos, sem dúvida, protestos legítimos e válidos. Vozes que se elevaram contra o preconceito racial e de gênero, vozes pela preservação do meio ambiente e respeito às comunidades indígenas, vozes contra a violência sexual e tantos outros absurdos de nossa sociedade contemporânea. Talvez esta edição tenha sido um turning point para um evento que costuma brindar o brilho, o luxo, a vaidade, as amenidades, a descontração, o divertimento e, claro, o talento.

Não sou contra nem uma modalidade, nem outra. As duas têm seu lugar e seu valor. O cinema tanto é diversão quanto informação. Tanto pode fazer nossa mente voar, aliviando-nos da tensão do dia-a-dia, como pode fazer-nos mergulhar em reflexão profunda sobre temas importantes da atualidade ou de nossa existência. Tanto pode cegar, alienar, como também pode nos ajudar a enxergar mais longe.

Bem coerente, portanto, o prêmio de Melhor Filme ter sido atribuído neste ano à Spotlight: Segredos Revelados.

Como escrevi em minha última crítica, não era o meu candidato favorito. Em termos cinematográficos – avaliando técnica + arte – não acho que tenha sido o melhor. Não à toa não ter levado as estatuetas de Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhores Atores Coadjuvantes e nem ter sido mesmo indicado em algumas categorias importantes como a de Melhor Fotografia. No entanto, o prêmio de Melhor Roteiro Original corrobora o tom adotado pela cerimônia de 2016, cujos holofotes estavam virados mais para o “tema” do que exatamente para a técnica empregada. Um reconhecimento a uma obra que vai muito além da arte e da ciência. Um filme que tem uma função social extremamente valiosa. Um papel importante e ousado que merece por si só um troféu, uma recompensa por ter tido a coragem de tocar em uma grande e antiga ferida de nossa sociedade, incentivando, assim, a investigação jornalística séria e comprometida.

A premiação de Melhor Direção para Iñarritú foi, na minha opinião, muitíssimo acertada, assim como foi a de seu compatriota Emmanuel Lubezki para Melhor Fotografia (seu terceiro Oscar seguido). A dupla deu show, realizando um filme grandioso, utilizando com maestria as ferramentas clássicas da sétima arte. Da mesma maneira, encheram-me de alegria os prêmios para Leonardo DiCaprio, Brie Larson, Mark Rylance, Alicia Vikander, Divertida Mente (Animação) e, sobretudo, para Ennio Morricone. Inacreditável o velho e grande Morricone (87 anos) só agora ter recebido sua primeira estatueta! Mas, como disse no começo deste texto, talvez tenha sido este um Oscar-turning-point! A confirmar em 2017.

~ by Lilia Lustosa on fevereiro 29, 2016.

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