The Giver, Hunger Games & The Hobbit

Nessas férias de fim de ano – que infelizmente acabaram segunda passada – deixei de lado os meus filmes-objetos-de-estudo (brasileiros dos anos 60) e entreguei-me de peito aberto aos blockbusters voltados para os “young adults” como dizem os americanos.

Reabro assim os trabalhos com uma breve análise de alguns dos filmes assistidos com meus filhos adolescentes.

The-Giver-Film-Adaptation-2014

O Doador de Memórias (2014)

Título original: The Giver

Origem: EUA

Direção: Philip Noyce

Roteiro: Michael Mitnick, Robert B. Weide, Lois Lowry (autora do livro)

Com: Meryl Streep, Jeff Bridges, Brenton Thwaites, Odeya Rush, Kate Holmes

O filme é muito curto, deixando-nos com a impressão de que faltou alguma coisa. A história, baseada no best-seller de mesmo título, publicado em 1993, é pouco original, com partes um tanto quanto inverossímeis, porém interessante, sobretudo se considerarmos que o livro virou uma espécie de introdução ao gênero das “distopias”. Pelo menos nas escolas americanas, onde tornou-se um must-read da Middle School (o que equivale ao nosso ex-ginásio – fui longe! – ou mais modernamente, ensino fundamental, do quinto ao oitavo ano).

O trabalho de cores, tanto no filme quanto na história em si, é bem bacana, mas não surpreende hoje em dia por sua originalidade. Assim, apesar de reunir nomes de peso como Meryl Streep e Jeff Bridges (ele é, inclusive, o produtor), o filme não impressiona. Uma pena! Meus filhos gostaram bastante de ler o livro e disseram que o filme não conseguiu envolve-los da mesma maneira.

 hobbit-3-posterO Hobbit : A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

Título original: The Hobbit – The Battle of the Five Armies

Origem: Nova Zelândia / EUA

Direção: Peter Jackson

Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo Del Toro, J. R. R. Tolkien

Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Evangeline Lilly, Christopher Lee, Cate Blanchett, Orlando Bloom

Muito barulho, muita informação e muita, mas muita mentira! Tudo bem. Eu sei que quando vamos assistir a um filme fantástico, temos que estar prontos para aceitar as fantasias, as inverossimilhanças, enfim, as mentiradas todas que fazem o filme pertencer à categoria dos “fantásticos”. Senão, melhor nem assistir. No entanto, desta vez, Peter Jackson se superou. Algumas cenas da batalha dos cinco exércitos são absurdamente mentirosas, ao ponto de provocar risos da plateia adolescente que curte o mundo fantástico de J. R. R. Tolkien. Confesso que gosto de filmes fantásticos, mas este último episódio de Hobbit me decepcionou um pouco. Efeitos especiais excessivos, barulho demais, ação demais. Tudo demais. Tanto que a sempre excelente banda sonora, mais uma vez a cargo de Howard Shore, acabou ficando meio apagada. O filme, na verdade, me cansou e acabei ficando feliz de ver a saga de Bilbo Baggins chegar ao fim. Infelizmente não li os livros. Meu filho, que os leu, disse que são excelentes. E não duvido, pois lendo sobre a vida de seu autor, fiquei fascinada pela originalidade e genialidade de Tolkiens. Só de pensar que ele criou alfabetos completos, que podem ser aprendidos e falados por qualquer um de nós (ou não), é de se tirar o chapéu. Interessante também saber que mesmo tendo vendido os direitos para realização dos filmes antes de sua morte, Tolkiens nunca acreditou na possibilidade de transpor com precisão para a telona o universo que ele concebeu tão detalhadamente em seus livros (ele levou mais de dez anos para escrever O Senhor dos Anéis). Talvez ele tivesse razão. Ou talvez não, já que as trilogias Senhor dos Anéis e Hobbit são sempre um grande sucesso de bilheteria, podendo-se até afirmar que já conta com pelo menos duas gerações de fãs.

 Hunger Games 3Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (2014)

Título original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 1

Origem: EUA

Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Peter Craig, Danny Strong, Suzanne Collins (autora do livro)

Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Woody Harrelson

Mesmo não gostando dessa mania que se tem hoje de dividir filmes (livros) em duas partes, meu destaque vai, então, para Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1. Talvez essa escolha se dê pelo fraco que tenho por histórias de mundos distópicos, pós apocalípticos, futurísticos… (mas já falei isso antes !). Na verdade, desde os Jetsons de minha infância até o dia em que li, na minha adolescência, o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, venho encantando-me mais e mais com essa possibilidade “profética” que a ficção nos oferece.

Jogos Vorazes: A Esperança baseado na primeira parte do terceiro livro da trilogia Jogos Vorazes – vem desta vez com um viés bem mais intimista, mais introspectivo. Nada de arena, de batalhas artificialmente impostas, de tributos, de mentores e de todas aquelas cores e contrastes entre a capital e os distritos. Desta vez, as cores e os exageros dos dois primeiros filmes (livros) são deixados de lado, e o cinza, o marrom e os tons escuros predominam na tela. O filme é bem mais sombrio e denso, apesar da menor quantidade de cenas de morte. Acontece que como a guerra agora é real (e não mais um “jogo”), os ataques à população inocente são pra valer. A coisa fica então ainda mais pesada e, ao mesmo tempo, mais interessante. É como se de repente saíssemos do gênero fantástico para o gênero de guerra. E Jennifer Lawrence tem aí bastante espaço e tempo para mostrar do que é capaz. E é ela que conduz o filme, estando presente na maior parte das cenas. Com uma bela atuação, mostra-se frágil, vulnerável, abalada, confusa, mas, ao mesmo tempo, ainda capaz de reagir às injustiças. Uma alma visivelmente marcada de guerra, traumatizada, ferida, como qualquer personagem saído de uma guerra verdadeira, que teme, mas que carrega dentro de si o horror à injustiça e à violência, não enxergando, porém, outra maneira de lutar se não revidando, reagindo.

Falando em guerra, é interessante notar o uso da propaganda neste filme. Aqui ela é usada como poderoso instrumento de guerra, uma verdadeira arma de combate. De um lado, a Capital usa Peeta (Josh Hutcherson) para chantagear os Distritos (via Katniss); de outro, os Distritos usam Katniss (Jennifer Lawrence) para ameaçar a Capital. Via imagens televisivas estabelece-se, sobretudo, uma guerra psicológica que atinge em cheio o alvo. Interessante também ver a equipe de filmagem do Distrito 13 em cena, filmando ao vivo, no local de guerra, não deixando escapar nenhuma ação nem reação daquela que é o símbolo da rebelião: o Mockingjay. Tudo isso embalado por um trilha linda, com músicas da cantora Lorde (neozelandesa de sucesso no mundo pop), Stromae (jovem belga que faz grande sucesso no mundo francófono) e com direito até a uma música cantada pela própria Jennifer Lawrence e que vira o hino da rebelião: The Hanging Tree. E para concluir, há ainda a participação já saudosa de Philip Seymor Hoffman.

Para quem gosta de filmes sobre mundos distópicos, o filme é muito bom! Já estou louca para ver o próximo e último!

É isso. Feliz Ano Novo e Bons Filmes!

 

~ by Lilia Lustosa on janeiro 15, 2015.

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