Álbum de Família (2013)

Veja o trailer aqui!

Título original: August: Osage County   filme-album-de-familia-2013

Origem: EUA

Diretor: John Wells

Roteiro: Tracy Letts

Com: Meryl Streep, Julia Roberts,  Ewan McGregor, Juliette Lewis, Chris Cooper, Margo Martindale, Benedict Cumberbatch

Com um elenco de primeira grandeza, o segundo longa-metragem de John Wells tinha tudo para brilhar neste ano! Mas não…

Longo, cansativo, deprimente, Álbum de Família pesa nos ombros do espectador.

Também pudera, Tracy Letts – roteirista e também autor da peça em que o filme foi baseado – resolveu reunir todos os problemas do mundo em uma só família, não deixando escapar uma só alma!

Com isso, mesmo os diálogos, que são, aliás, muito bem escritos e que, vez por outra, arriscam até umas pitadas de humor (mórbido, claro!) acabam não conseguindo adoçar o sabor amargo que o filme nos deixa na boca.

A história se passa em Oaklahoma, no Condado de Osage, região perdida no meio do nada, inteiramente situada em território indígena,  precisamente na reserva denominada Nação Osage. Aliás, a questão indígena é bastante presente no filme, embora funcione mais como pano de fundo para os acertos de contas familiares do que propriamente como um tema a ser trabalhado. Uma pena! Talvez tivesse sido interessante um maior aprofundamento aí. Mesmo assim, certamente não foi por acaso, que uma das personagens mais equilibradas da história, talvez a mais dócil e menos amarga de todos, seja justamente a índia Cheyennes contratada para ajudar nos serviços da casa. Apesar de ouvir os maiores desaforos da parte de alguns membros da família, a jovem continua serena, fazendo seu trabalho sem queixas nem caras feias, numa enorme demonstração de superioridade (ou de subserviência). A refletir.

Voltando à trama:

Após o desaparecimento e subsequente morte do patriarca da família – Beverly Weston (Sam Shepard) – as filhas de Violet (Meryl Streep) se reencontram na velha casa de Osage, um casarão branco, quente e extremamente escuro em seu interior. Voluntariamente escuro, diga-se de passagem, já que no exterior, sol é o que não falta. Estamos em pleno mês de agosto, verão por aquelas bandas.

O contraste entre exterior/interior é algo de marcante no filme, com as cenas de exterior sempre ensolaradas, banhadas por uma luz amarela (às vezes alaranjada), enquanto que aquelas do interior são mergulhadas de uma escuridão claustrofóbica, que impede de enxergar bem as coisas. Escuridão que habita também o interior de cada personagem da história. Personagens sem sol.

Além das três filhas – Barbara (uma excelente Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) – e agregados, ainda há Mattie Fae, irmã de Violet, muito bem interpretada por Margo Martindale, seu marido Charlie (o também excelente Chris Cooper) e o filho deles Little Charlie (Benedict Cumberbatch).

Com a trupe completa, é hora do show. O casarão escuro vira, então, palco para um duelo sem-fim de línguas afiadas, para uma competição de maior quantidade de “f word” vomitadas, numa orgia de violência que ultrapassa um pouco (?) o limite do confortável. Violet e Barbara são as grandes adversárias, oferecendo-nos as cenas mais “quentes” do espetáculo, como a em que vemos Meryl Streep rolar no chão, atacada por Julia Roberts, captadas por uma câmera também violenta, nervosa, perdida, angustiada.

Tudo é interessante, bem dirigido, bem montado, bem encenado, no entanto, demasiado, “too much”, “trop”. O filme não precisava ser tão longo nem precisava de tantos problemas de naturezas distintas para que entendêssemos a origem de tanto sofrimento. Infância sofrida gera outras infâncias sofridas. Vidas atormentadas têm grande chance de gerar novas vidas atormentadas. As duas irmãs, Violet e Mattie Fae, tiveram uma infância pobre, sem grandes demonstrações de amor e com constantes assédios morais e físicos. Vivendo numa sociedade também doente, em que os brancos invadiram a terra dos índios, passando a discriminá-los, tratando-os com violência e desprezo, como poderiam ter gerado famílias saudáveis? Que escolhas tiveram?

A causa é nobre, sem dúvida, mas Tracy Letts e John Wells não precisavam ter reunido tantos problemas em uma só família, em um só filme. Ficou pesado demais, exagerado demais. E acabou por perder a força.

Ainda assim, acho que vale a pena assistir ao filme para ver algumas belas atuações, como a fantástica sequência de Meryl Streep (claro que tinha que ser ela!) na hora em que recebe a notícia da morte do marido. Excelente!

Um filme PRA SE ANGUSTIAR.

 

 

 

~ by Lilia Lustosa on março 8, 2014.

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