Grand Central (2013)

Veja o trailer do filme aqui!

Título original: Grand Central  GRAND+CENTRAL

Origem: França

Diretora: Rebecca Zlotowski

Roteiro: Gaëlle Macé e Rebecca Zlotowski

Com: Léa Seydoux, Tahar Rahim, Olivier Gourmet, Denis Ménochet

Um romance proibido dentro de uma central nuclear: combinação bombástica!

O segundo filme da jovem diretora francesa Rebecca Zlotowski é um filme bem equilibrado, denso, tenso, bem montado e composto de belíssimos planos!

A história se passa em uma das 19 centrais nucleares da França, tendo como protagonistas os operários que arriscam suas próprias vidas em troca de um salário não tão grande assim. Interessante notar a facilidade com que os jovens recém-chegados e sem formação específica são contratados… Um trabalho de alto risco, que requer precisão, atenção extrema, excelente formação e que é tratado com tamanha displicência!

Grand Central tem um quê do realismo poético francês, apresentando-nos o dia-a-dia de personagens simples, gente do povo, que rala e que sonha em um dia melhorar de vida. Mas, assim como no próprio movimento cinematográfico dos anos 30, o pessimismo é o motor da história, contrastando assim com os belíssimos planos escolhidos por Rebecca Zlotowski.

Os funcionários vivem em um acampamento ao lado da Central numa vida meio cigana, em que, de repente, todos parecem fazer parte de uma grande família. A grande proximidade e o isolamento de outras “civilizações” faz com que os sentimentos se intensifiquem ali naquela comunidade que sonha com um futuro melhor mesmo sabendo que neste caminho que escolheram não há muito espaço para ele (o futuro).

E é nesse cenário, por vezes bucólico, por vezes saído de um filme de ficção científica, que nasce então a paixão avassaladora entre o novato Gary (Tahar Rahim) e a funcionária de cabelos curtos Karole (Léa Seydoux), noiva do veterano Tony (Denis Ménochet). Romance esse que será o fio condutor da história.

Usando e abusando (no bom sentido) do close, dos planos fora de foco e de uma câmera inquieta, a jovem diretora francesa vai pouco a pouco elevando a tensão do filme, num crescendo muito bem cuidado, que nunca exagera na dose.

O som é outro componente importante de Grand Central, sendo trabalhado de forma brilhante, o que ajuda e muito na construção da tensão que a trama pede.  Dois excelentes exemplos são a sequência pós-acidente com Gary, composta por uma música absolutamente enlouquecedora acompanhada de uma câmara ao mesmo tempo lenta e zonza. E ainda a sequência do casamento, em que tudo se passa também em câmera lenta com uma música em total dissonância com as imagens apresentadas na tela. Uma possível alusão ao real e o desejado. O som sendo o real e as imagens o desejado. A alegria ali fantasiada, mascarada, abafada pelo som do perigo. Fantástico!

Alternando sequências banhadas por uma luz azul fria e tensa com outras banhadas por uma luz mais amarelada, quente e alegre, Grand Central é, aliás, cheio de belos planos, boas sacadas, além de várias referencias a grandes mestres do cinema, como Renoir, Vigo, Pasolini e outros.

Um filme que toca de maneira elegante em um tema absolutamente atual e que foi selecionado para o Festival de Cannes deste ano na categoria Un Certain Regard.

Sem dúvida, uma bela conquista para uma cineasta praticamente “débutante”. Que venham outros mais!

Um filme PRA PENSAR.

~ by Lilia Lustosa on setembro 13, 2013.

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