O Atalante (1934)

Título original: L’Atalante   

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Origem: França

Diretor: Jean Vigo

Roteiro: Jean Vigo, Albert Riéra, Jean Guinée

Com: Michel Simon, Dita Parlo, Jean Dasté, Louis Lefebvre

Minha dica de hoje vem diretamente do túnel do tempo:

O Atalante, do diretor francês Jean Vigo, lançado em 1934.

Um filme absolutamente lindo que é também o marco zero do Realismo Poético Francês. Um movimento dos anos 1930 e 1940, que defendia a ideia de que o cinema deveria mostrar a realidade nas telas, por meio da escolha de personagens comuns, de vida simples, sem perder, no entanto, o lirismo e a poesia.  Foi esse movimento que inspirou o futuro Neorrealismo italiano.

O roteiro de O Atalante é bem simples e conta a história de um casal recém-casado, pertencente à classe trabalhadora da França, que vai viver seus primeiros dias de casado à bordo do barco Atalante, onde vão doravante morar (e trabalhar).  Junto com o casal moram também mais dois tripulantes, o Père Jules (Michel Simon), uma figura curiosa que assusta e encanta ao mesmo tempo, com seu corpo coberto de tatuagens (escandalosas para época) e um rapazote (Louis Lefebvre) que é seu ajudante.

Ao longo do caminho, o casal vai pouco a pouco se conhecendo, se divertindo, sendo feliz, triste, discutindo, se entendendo, se desentendendo…

Juliette sonha em conhecer Paris. O marido realiza seu desejo. Mas ela se deslumbra e se deixa seduzir pelos encantos de uma vida que não é a sua, encontrando junto com os novos prazeres também a infelicidade. Jean Vigo nos mostra a Paris real, dos trabalhadores  humildes, da gente que mora nos subúrbios, da parte não glamorosa da cidade-luz. Gente que enfrenta a fila do desemprego,mostrado uma imagem até então tabu no cinema francês.

Ainda que mostre a realidade de uma Paris pobre, O Atalante tem uma fotografia rica e linda, composta por planos bem enquadrados, filmados de ângulos originais e interessantes, guardando algumas características do surrealismo, tais como as sobreposições usadas para as sequências de sonhos e desejos. Destaque para a sequência em montagem paralela mostrando marido e mulher, cada um em uma cama diferente, em espaços físicos distintos, após um desentendimento, sonhando um com o outro. Uma sequência plena de sensualidade, de sentimento, de originalidade e de beleza.

Jean Vigo, conhecido também como o “Rimbaud du cinéma”, teve infelizmente carreira curta, morrendo aos 29 anos, deixando mesmo assim 4 filmes, entre eles o também excelente, irreverente e revolucionário Zero de comportamento (1933), censurado no lançamento e só liberado em 1945. Outro filme altamente recomendado!

Veja uma sequência do filme aqui!

~ by Lilia Lustosa on junho 24, 2013.

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