O Grande Gatsby (2013)

Veja o trailer aqui!

Tìtulo original: The Great Gatsby   Great-Gatsby-wallpaper_03

Origem: EUA / Austrália

Diretor: Baz Luhrmann

Roteiro: Baz Luhrmann

Com: Leonardo Di Caprio, Tobey Maguire, Joel Edgerton, Carey Mulligan

Um grandioso espetáculo!

A mais nova versão de O Grande Gatsby – quarta feita até hoje para o cinema – é glamorosa, esplendorosa, grandiosa, luxuosa! Um mega show realizado pelo diretor australiano Baz Luhrmann, com direito a fogos de artifício e muitas borbulhas de champagne!

A história – já mil vezes conhecida, tirada diretamente da obra de F. Scott Fitzgerald, do misterioso milionário solitário que tudo construiu para conquistar a mulher amada – ganhou agora novos ares, cores e sons. A mais pura tecnologia digital transformada em espetáculo! O filme é exuberante!

A atuação de Leonardo Di Caprio, por sua vez, é elegante, equilibrada, precisa (como sempre) e absolutamente grandiosa, assim como seu próprio personagem. Em muitos momentos ele até lembra Robert Redford –  na versão de 1974, dirigida por Jack Clayton – sendo que o Gatsby de Di Caprio conseguiu ser ainda mais intenso, mais real e passar ainda mais emoções (contidas) do que o de seu veterano.

E já que falamos da versão de 1974, que tal brincarmos de jogo dos sete erros? Quem ainda não viu o filme com Redford, sugiro que veja. Não que a versão de 2013 precise de retoques ou de complementos. Ao contrário. A versão atual parece até mais completa do que a de antes, mesmo que apresente algumas cenas a menos, como a do pai chegando à casa de Gatsby, no final do filme.  Ou então, de cenas a mais, como a da hora do atropelamento de Myrtle Wilson. A minha sugestão é apenas que se faça da experiência de ir ao cinema assistir a um remake uma bela brincadeira, ou um gostoso exercício do olhar cinematográfico.

Vamos às diferenças:

1. Narração: A versão de 2013 conta com um narrador personagem, Nick (Tobey Maguire), muito mais presente do que a versão de 1974.  O que, por um lado, aproxima-nos dos personagens, principalmente do próprio Nick, com quem nos identificamos e por quem desenvolvemos grande simpatia. Isso ajuda muito na compreensão da história e dos sentimentos vividos por ele e pelos outros personagens. Mas, por outro lado, essa presença massiva – feita aliás, simultaneamente de forma escrita na tela, em bela sobreposição de imagens – faz-nos também ficar muito mais presos à visão que Nick tem sobre os acontecimentos. Na versão de Clayton somos mais livres, mais imparciais talvez.

2. Diálogos: Os diálogos de 1974 são mais diretos, mais explícitos, não dando margens a deduções ou a suposições, como acontece na versão de 2013. Particularmente, gosto bastante dos não-ditos de hoje. Combinam mais com a misteriosa vida de Gatsby.

3. Janela: Na versão de 2013, Gatsby espia constantemente Nick pela janela. Nick percebe que está sendo espionado. Esse voyeurismo, que dá um certo ar de mistério à história, não aparece na versão de 1974.

4. O convidado: Na versão de 2013, o fato de Nick ser o único verdadeiramente convidado (todos os outros costumam aparecer nas festas de Gatsby sem receberem convites) é bastante explorado. Primeiro, ele comenta em sua narração. Depois ainda o vemos na festa com seu convite na mão, tentando mostra-lo para alguém, como se estivesse meio perdido. Mas ninguém dá bola para sua fala. Já na versão de 1974, não o vemos procurando entregar o convite para ninguém, mas sendo identificado em meio à multidão de convidados e levado para algum lugar desconhecido, por um homem com pinta de segurança. Nick fica tenso, sente-se deslocado, ameaçado, como se fosse errado um joão-ninguém como ele estar naquela festa. Essa cena reforça a questão da diferença de classes sociais.

5. Diferenças sociais e raciais: Sem dúvida alguma, a grande questão do filme é a diferença entre classes sociais, representada pelos amores impossíveis entre os casais Daisy e Gatsby, Martin (marido de Daisy) e sua amante Myrtle, ou ainda entre o casal que nunca se constitui, Nick e Jordan (campeã de golf que só namora homem rico). Porém, na versão de 1974, a questão racial é levantada já bem no começo do filme e retomada em várias outras circunstâncias, em claro discurso que coloca os brancos como superiores aos negros. Na versão de 2013, a questão é levantada no começo do filme de maneira sutil e não mais é retomada em outras cenas.  A razão para essa mudança seja, talvez, o fato de que, de lá pra cá, muito se avançou na luta pela igualdade racial, embora não tenhamos, até hoje, colocado um fim nesta questão absurda de superioridade da raça branca.

6. Luz verde: Na versão de 2013 a luz verde proveniente do farol do píer da casa de Daisy vira quase um leitmotiv do filme, reaparecendo em várias cenas. Ela representa a esperança que Gatsby sempre teve de reencontrar sua amada, de reconstruir a vida a seu lado e de finalmente ser feliz. Em vários outros momentos, a luz verde, por vezes envolta por brumas, domina a tela e os pensamentos de Gatsby. Isto já não acontece no filme de 1974.  A luz aparece no começo do filme e só vai voltar a aparecer no seu final. O simbolismo está em ambas as versões, mas a presença física do verde na tela é bem menor, perdendo um pouco de sua força.

7. A música: Ao contrário da versão de 1974 que usou e abusou do jazz e das músicas contemporâneas à época em que se passa a história do filme (anos 20), a versão de agora é composta por música de artistas da atualidade, em dissonância com o figurino, com o cenário e com a época da história do filme. Músicas de Lana Del Rey, Jay-Z, Beyoncé, will.i.am, Fergie, etc. Esse parece ser, aliás, o estilo Baz Luhrmann de fazer filmes, que já havia optado pela dissonância musical em seus anteriores Romeu e Julieta (1996) e Moulin Rouge (2001). O resultado é novamente um grande espetáculo!

Fora esses sete pontos que levantei, há ainda uma série de outras diferenças entre as versões de 1974 e de 2013. Cenas a mais, cenas a menos. Falas distintas, falas iguais. Diferenças, por certo, mas que não diminuem em nada o valor nem de uma nem de outra versão. Ambas têm seu glamour. Sendo que a de hoje tem, a seu favor, a tecnologia e o Leonardo Di Caprio.

O Grande Gatsby é um filme-espetáculo, imperdível para quem gosta do cinema clássico norte-americano. Palmas para Baz Luhrmann!

Um filme PRA SE DISTRAIR e PRA SE ENCANTAR.

~ by Lilia Lustosa on junho 8, 2013.

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