Le Prénom (2012)

Veja aqui o trailer do filme!

Título original: Le Prénom   

Origem: França / Bélgica

Diretores: Alexandre de la Patelièrre e Matthieu Delaporte

Roteiro: Matthieu Delaporte

Com: Patrick Bruel, Valérie Benguigui, Charles Berling, Guillaume de Tonquédec, Judith El Zein

Dentro dos mesmos moldes de Carnage, de Roman Polanski, lançado em 2011 (leia a crítica aqui, post de 5/2/2012 ), Le Prénom é uma peça de teatro levada à telona! Um filme em que o maior efeito especial é o texto! E que o jogo de cena é a grande “tecnologia” utilizada.

A história – baseada na peça escrita pelo mesmo Matthieu Delaporte que assina o roteiro do filme – começa quando Vincent (Patrick Bruel) e sua esposa Anna (Judith El Zein), grávida de 5 meses, são convidados para jantar na casa de sua irmã Elisabeth (Valérie Benguigui) e de seu cunhado Pierre (Charles Berling), na companhia ainda de um amigo de longa data, o pacífico e contido suíço Claude (Guillaume de Tonquédec).

Uma noite em família, com ares de normalidade, em que tudo parece estar no lugar – boa comida, bom vinho, boa música… – até o momento em que Vincent resolver anunciar o nome escolhido para o bebê.

Nasce ali, então, naquela noite, a polêmica. Seguida da revelação, da raiva, da vergonha, da falta dela , bem como do medo dos desdobramentos da verdade.

A paz e a leveza do início cedem espaço a discussões variadas, que vão se emendando, uma após a outra, se aprofundando, se complicando até chegar ao ponto do sem-volta. Verdades em forma de opiniões são cuspidas, vomitadas, berradas. O clima vai ficando pesado, tenso, quase insuportável. Segredos são revelados, “pecados” são expostos, mas as mea culpa são, na maior parte das vezes, ignoradas. E tudo isso sem nunca deixar de lado o humor inteligente e o volume alto dos debates tão tipicamente franceses!

Apesar do ambiente huis clos – praticamente todas as ações se passam entre a sala de jantar e a sala de estar do apartamento de Elisabeth e de Pierre – e do número não tão vasto de personagens, o filme consegue manter bem o ritmo, não nos deixando cair no sono nem no tédio em nenhum momento. Isso graças aos ricos diálogos e ao jogo de cena dos atores.

A crítica francesa não foi, no entanto, muito positiva com Le Prénom, talvez justamente pelo fato de o filme ser assim… tão francês… por mostrar, por meio de um humor mordaz, certos estereótipos gauleses que refletem (e que certamente exageram) um pouco do que eles são.

Há, por exemplo, o intelectual de esquerda, professor universitário, que se julga humilde, não ligando nada para as aparências nem para os bens materiais. Ele não se incomoda de não ter carro do ano e nem mesmo se preocupa com o que os outros pensam dele por usar sempre o mesmo paletó de veludo cotelê, até mesmo durante o verão…

Há também o personagem bling-bling (uma expressão bem francesa que é usada para os emergentes, para os que realmente ligam – e assumem que ligam – para as aparências). São os  capitalistas perdulários ou talvez um tipo de “nouveau dandy”, só que sem o charme intelectualóide desta figura.

Para completar o quadro dos clichês franceses, há ainda a mãe-esposa frustrada, que não foi adiante na carreira por causa do casamento e da maternidade; ou ainda a profissional bem sucedida que está sempre atrasada e que tem toda a pinta de que não vai ser boa mãe (ela até fuma durante a gravidez!!!!). Fora o artista, claro! Não há França sem arte! Um músico, mais precisamente, um homem do bem, sensível, que sabe apreciar o belo, que consegue tirar um imenso prazer das coisas simples da vida, como aromas, cores, sons, etc. Ah, um detalhe importante: o artista francês do nosso filme não é francês, é suíço. O que torna a “piada” ainda melhor, pois assim ele pode ser retratado como o “neutro”, o que se abstém de dar opiniões, o que não entra em guerras… Muito interessante ver como os franceses (e talvez o resto do mundo) pintam os suíços!

E assim o filme segue, enveredando em alguns pontos por caminhos perigosos, às vezes, sem volta, fazendo-nos pensar até onde devemos ir com a verdade. Até que ponto podemos conviver bem em sociedade sendo inteiramente sinceros. Perguntas talvez sem resposta. Ou talvez com respostas que nós simplesmente não queremos ouvir.

Enfim, Le Prénom é um filme divertido, com diálogos bem escritos, mesmo que empanados com uma cobertura de clichês diversos. Bem gostoso de se ver, bom para pensar e para se distrair!

~ by Lilia Lustosa on maio 13, 2012.

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