Espelho, Espelho Meu! (2012)

Título original: Mirror, Mirror     

Origem: EUA

Diretor: Tarsem Singh

Roteiro: Jason Keller, Melisa Wallac

Com: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane

Desde que os irmãos Grimm, ainda na primeira metade do século 19, escreveram Branca de Neve – famosíssimo conto de fadas para crianças – muita coisa mudou. Incluindo as crianças e, sobretudo, a própria história por eles criada.

Walt Disney foi o primeiro a trazê-la para o cinema, ainda em 1937, em seu primeiro longa metragem de animação.  Um sucesso que imediatamente virou clássico na história do cinema. De lá pra cá, o que não faltam são novas versões do conto, quer seja na literatura, no teatro, na dança ou no cinema.

Só neste ano de 2012, duas versões estão sendo lançadas nas telonas. Mas Espelho, Espelho Meu, de Tarsem Singh foi a que saiu na frente!

O filme é bonito, divertido, leve, colorido (em algumas partes) e gostoso de assistir!

A versão do conto foi bastante modificada, guardando pouco do original. Talvez apenas os personagens com algumas de suas características mais marcantes, tipo Branca de Neve (Lily Collins, filha de Phil Collins), com sua pele muito branca, seus cabelos negros e lábios vermelhos. Linda! Ou ainda a rainha – esplendorosamente interpretada por Julia Roberts – vaidosa, ambiciosa, inteligente e louca! Um rei bobamente enfeitiçado pela rainha. Os sete anões que acolhem a moça de pele alva. E um príncipe bonitão (Armie Hammer) que surge no caminho da princesa.

Fora isso, tudo é diferente. Os anões não trabalham nas minas, o príncipe não salva a princesa com seu beijo, a rainha não se disfarça de bruxa para enganar a princesa, e a própria Branca de Neve não é aquela mocinha frágil que usa um vestidinho azul e amarelo, com fitinha vermelha na cabeça, que cantarola para os pássaros e brinca com os animais da floresta. Não, tudo é diferente, original, caricato, hilário!

A floresta, por exemplo, é um lugar eternamente sombrio e assustador. Nada de grandes verdes, de folhagens, nem de animaizinhos bonitinhos. Aliás predominam nesse cenário os tons escuros, sombrios, frios e tristes, tendo o preto e o branco papel de destaque, com a neve como o grande tapete que cobre todo o ambiente. Já no castelo da rainha-madrasta a cor que reina é o dourado. As cenas são assim mais vivas, mais claras, mais alegres, em contraste com o escuro mundo interior da rainha, só percebido pelo seu próprio espelho mágico.

Nessa brincadeira de tonalidades, quando o final-feliz parece chegar, as cores ganham terreno, se misturam, dominam a cena. E, surpresa!!!! Começa então um número musical “à la Bollywood.” Com aquele excesso de tudo, (cores, figurantes…) característico do cinema comercial indiano. Uma cena totalmente supérflua ao enredo do filme e que está ali somente para alegrar, para distrair, para fazer dançar. Sem sombra de dúvidas, algo diferente para nossos olhos ocidentais!

O somatório de Espelho, Espelho Meu é finalmente positivo, sobretudo se o objetivo é “divertimento”.

Agora resta-nos esperar por Branca de Neve e o Caçador, de Rupert Sanders, que, ao menos pelo trailer, tem ares de um filme mais assustador ! Mas já posso adiantar que nenhum espelho-de-madrasta-rainha do mundo vai me convencer de que Kristen Stewart é mais bonita do que Charlize Theron…

~ by Lilia Lustosa on abril 29, 2012.

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