Carnage (2011)

Título original : Carnage    

Origem : França / Alemanha / Polonha / Espanha

Diretor : Roman Polanski

Roteiro : Yasmina Reza (baseado na peça “Le Dieu du Carnage”) e Roman Polanski

Com : Jodie Foster, Kate Winslet, Chistopher Waltz, John C. Reilly

 

Quase uma peça de teatro ! Uma senhora peça, diga-se de passagem!

Neste período de “exílio suíço”, o controverso Polanski já produziu dois filhos de boa estirpe: Ghost Writer (2010); e agora, Carnage (2011).

Esqueçamos o homem e concentremo-nos no artista!

Carnage é excelente, apesar da produção extremamente simples. O filme é baseado na peça de teatro “Le Dieu du Carnage”, de Yasmina Reza. O grande trunfo é, portanto, o belo roteiro (escrito a quatro mãos pelo próprio Polanski e por Yasmina Reza) e a fantástica atuação do quarteto de atores formado por Kate Winslet, Jodie Foster, Christopher Waltz e John C. Reilly.

Tirando a primeira e a última cenas, que são rodadas ao ar livre, em um grande plano geral,  em que mal conseguimos distinguir os rostos infantis que brincam (e brigam) em um parque, todo o resto do filme se passa entre as paredes do apartamento do casal Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly).

O filme conta a história de dois casais – o outro formado por Kate Winslet e Christopher Waltz – que se encontram para discutir a briga ocorrida entre seus filhos, da qual uma das crianças sai machucada. A questão toda gira, portanto, em torno da solução (e desfecho) que deve ser dada para o fato.

O encontro começa de maneira “civilizada”, com os quatro adultos tentando chegar a um acordo sobre como agir com relação às crianças, nos quesitos punição, perdão, lição tirada, etc. No entanto, à medida que o tempo passa, os nervos vão se esquentando neste ambiente huit-clos e as discussões acabam se estendendo a terrenos que vão muito além do real motivo que os reuniu ali. Quem é vítima, que é algoz? Quem é bom, quem é mau? Pouco a pouco as grandes hipocrisias de nossa sociedade pós-moderna vão tomando conta da discussão e do tempo que parece se dilatar, mal cabendo nas quatro paredes da sala de estar dos Longstreet.

Fazendo emergir – de maneira divertida – uma série de temas “cabeludos” que assombram nossas vidas de adultos, mas sem nunca chegar a exauri-los, o filme de Polanski nos relembra que, no grande palco da vida, estamos sempre nos revezando nos papéis de vítima e de agressor… E que atire a primeira pedra quem nunca foi o “bandido” de uma história!!!!

No fundo, no fundo, tenho a impressão de que Polanski quis, com este filme, passar uma mensagem ao mundo, sobretudo à sociedade norte-americana (EUA) que, tendo o expulsado de lá em função de um crime cometido, não foi capaz de expulsar junto uma série de outros crimes igualmente vergonhosos, que ficam escondidos debaixo de seu longo tapete de listras vermelhas e brancas, repleto de estrelinhas.

Caro cinéfilo, condene o homem se quiser (e achar que pode), mas por favor, libere o artista! Vá assistir ao filme. Garanto que vale a pena!

~ by Lilia Lustosa on fevereiro 5, 2012.

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