The Lady (2011)

 

Origem : França / Inglaterra

Diretor : Luc Besson

Com: Michelle Yeoh, David Thewlis, Jonathan Raggett, Jonathan Woodhouse

Preparem os lenços e o coração!

O último filme de Luc Besson conta a história (real) de Aung San Suu Kyi, eleita primeira ministra da Birmânia (hoje Mianmar) em 1990, sem nunca ter podido assumir o poder, impedida pela ditadura que até hoje reina em seu país.

Prisioneira em sua própria casa durante quase 20 anos, sem contato com o mundo exterior nem com sua família, a “orquídea de ferro” – como foi por vezes chamada, teve que abrir mão da convivência com seus filhos e marido em nome do amor e do dever à sua pátria.

Filha do último grande líder da libertação da Birmânia, coronel Aung San – assassinado quando ela ainda era criança -, Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh) acabou se casando com Michael Aris (David Thewlis) – um professor universitário britânico – passando a viver em Oxford, onde  – longe de sua pátria – teve seus dois filhos.

Em 1988, chamada para voltar a seu país em função do estado grave de saúde de sua mãe, Aung San Suu Kyi parte, então, para Birmânia, em uma viagem sem volta.

Chegando lá, ela se depara com uma situação de extrema violência, pobreza e ditadura: uma nação que desconhece a palavra democracia. Os valores libertários tão defendidos por seu pai lhe enchem o espírito e ela sente que não pode apenas cruzar os braços e deixar seu país afundar sem esperanças. E é aí que seu martírio começa e sua liberdade termina.

Diante de tão rica história, Luc Besson – que começou a trabalhar neste filme em 2007, sem possibilidade de contato com sua heroína – poderia ter seguido vários caminhos para nos apresentar a vida de Suu Kyi: o da política, o da família, o do drama existencial… Acabou optando pelo viés da emoção e da beleza para mostrar ao mundo a biografia desta grande mulher.  E provavelmente por esta mesma razão, ele esteja sendo tão criticado pela imprensa francesa, que é sempre mais favorável às questões existencialistas, à introspecção ou ao realismo extremo (sem floreios).

O fato é que o filme é lindo, emocionante, tendo o diretor conseguido dar a sua obra o mesmo traço marcante da mulher que ele retrata: uma fortaleza ornada de flores.

A guerra, a violência, a ditatura e o sofrimento nos são apresentados com extrema delicadeza, elegância, beleza e poesia. As cenas são belíssimas! Os efeitos de câmera-lenta, os closes, os planos gerais, todos são extremamente agradáveis aos olhos e ao coração!

E o que toca mais de toda esta história é saber que tudo que estamos vendo estava (e está ainda) se passando enquanto levávamos (e levamos) nossa vidinha livre e feliz!

As atuações de Michelle Yeoh e de David Thewlis são de tirar o chapéu!

Os críticos franceses podem até ter razão em dizer que Besson se rendeu ao dramalhão, ao filme “à grand budget”,  comercial, etc. Mas isso não impede que o filme seja extremamente sensível, emocionante, belo, repleto de cores e planos de tirar o fôlego! A cena em que Aung San Suu Kyi anda por entre as metralhadores, em câmera lenta, mergulhada em seu mundo silencioso e cheio de paz é absolutamente magnífica!

Que me desculpem os tão respeitados Cahiers du Cinéma, Positif, Télérama etc, mas eu adorei o filme! Trata-se de um belo “portrait” de uma  grande mulher, de seu grande companheiro e de um amor sem limites por uma pátria ! Super recomendado!

PS. Em novembro de 2010, Aung San Suu Kyi conseguiu enfim a “liberdade”, mas sua luta está longe de ter chegado ao fim. O filme de Luc Besson é também uma maneira de lembrar ao mundo que atrocidades deste tipo ainda acontecem em várias partes do globo.

~ by Lilia Lustosa on dezembro 19, 2011.

One Response to “The Lady (2011)”

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