Terra Selvagem (2017)

Título original: Wind River

Origem: EUA

Direção: Taylor Sheridan

Roteiro: Taylor Sheridan

Elenco: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Julia Jones, Graham Greene, Kelsey Asbille, Apesanahkwat

Depois de séculos sem ir ao cinema – sim, acreditem!!!! – ontem fui a uma sala de cinema perto de casa para assistir ao filme Wind River, aqui na Argentina traduzido como Vientos Salvajes. Confesso que, depois de haver visto o trailer, fui achando que ia assistir a mais um thriller americano, tipo blockbuster… que, aliás, não desgosto nem um pouco! Mas estava meio desanimada, pensando que depois de tanto tempo sem fazer um de meus programas preferidos, ia acabar ver um filme comum. Para minha sorte, surpresa e prazer, achei o filme muito bom, e nada comum!!!!

O filme de Taylor Sheridan é um thriller diferente. Diria talvez que estamos aqui diante de um thriller filosófico, um suspense que nos faz refletir sobre questões profundas da natureza humana e das leis que regem nossas sociedades modernas. Não se trata de um mistério insolucionável que você só vai desvendar nos últimos minutos… nem por isso, deixa de prender a atenção do princípio ao fim. Mérito de um roteiro redondo e de uma montagem cuidadosa, que resultam em um filme de ritmo excelente, equilibrado, misturando cenas de contemplação, reflexão e dor a cenas de ação, de revolta, de protesto. Ora temos planos gerais com bucólicas paisagens brancas das montanhas nevadas de Wyoming, ora temos cenas violentas de luta, em ambientes fechados, com uma câmera nervosa, trêmula, desesperada!

Baseado em fatos reais, o filme conta a saga da investigação do assassinato de Natalie (Kelsey Asbille), uma jovem índia de 18 anos, encontrada morta no meio de um deserto de neves, descalça, a seis milhas de distância de qualquer rastro de civilização. O corpo é encontrado pelo caçador de predadores Cory Lambert (Jeremy Renner), que vai solicitar ajuda do FBI para solicitar o caso. Quem aparece para ajuda-lo é a agente Jane Banner (Elizabeth Olsen), que chega em um carro alugado e sem nenhuma equipe de apoio.

Por meio da investigação desse homicídio, o filme de Sheridon vai nos revelando pouco a pouco uma sociedade doente, com leis que protegem empresários do petróleo e supostamente também os povos originários daquelas terras. No entanto, essas mesmas leis que os protegem são também as que jogam contra eles, já que essas reservas indígenas se tornam um território “protegido”, em que as leis dos Estados Unidos não se aplicam. Acabam virando uma terra de ninguém, sem leis, onde o que vale mesmo é a força, a bala ou a flecha. Regiões em que o desaparecimento de mulheres é fato comum e não registrado (contabilizado) pelos dados oficiais.

Terra Selvagem é assim um filme profundo, camuflado pela neve do thriller americano. Devia ter desconfiado que não se ganha um prêmio de melhor diretor em Cannes – Un Certain Regard – à toa! Sim, com esse filme Sheridan ganhou esse prêmio! E também devia ter confiado mais em um roteirista que já nos havia presenteado no ano passado com o ótimo Hell or High Water, pelo qual havia sido, inclusive, indicado ao Oscar. E antes ainda, com o roteiro do também excelente Sicario (2015).

Enfim, acho que depois de tanto tempo concentrada na minha pesquisa de doutorado, acabei perdendo a cancha de detectar sinais de um bom filme… Que venham outras surpresas por aí!

Um filme PRA PENSAR e PRA SE ANGUSTIAR.

 

 

~ by Lilia Lustosa on septembre 24, 2017.

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