A Grande Aposta (2015)

Título Original: The Big Short

Origem: EUA

Direção: Adam McKay

Roteiro: Charles Randolph, Adam McKay e Michael Lewis (livro)

Com: Ryan Gosling, Christian Bale, Steve Carell, Brad Pitt, Finn Wittrock, John Magaro

Segundo da série “rumo ao Oscar”, hoje vou falar de um filme que vem causando alvoroço em meio ao público brasileiro: A Grande Aposta.

the big short

Entendo. O filme, encenado por um elenco de primeira grandeza, é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito pelo jornalista Michael Lewis, e relata a complexa trama que levou à crise imobiliária de 2008 nos Estados Unidos. Um livro dificílimo de ser traduzido para a língua dos “reles mortais” e, mais complicado ainda de ser adaptado às telonas. E só por isso, o diretor Adam McKay já pode se considerar vitorioso. O filme ficou relativamente fácil de se entender e pode até ser considerado (por alguns) bem divertido! Meu irmão economista adorou!

No entanto, pelos meus olhos que enxergam mais o aspecto cinematográfico da história, McKay pecou pelo excesso. Abusou demais dos efeitos que a Sétima Arte oferece e das gags que ajudam um filme a se tornar divertido e criou uma espécie de “Frankstein”, excessivo, caricato e metido a engraçadinho demais. Ficou cansativo! Mas antes que vocês me atirem pedras, vou tentar me defender…

Vamos lá!

  1. Movimento de câmera – Aquela câmera mexe demais! Certamente, a explicação para tal excesso pode estar no desejo de mostrar a agitação enlouquecida da vida do pessoal do mundo financeiro. Ok, concordo, apesar de ter ficado tonta. Este é, sem dúvida, um bom argumento e esta é uma boa estratégia estilística.
  2. Falta de foco – Em inúmeras cenas, as imagens perdem o foco. Aqui também se pode alegar que a falta de foco representa toda a loucura em que se vive no mercado financeiro. Workaholics que não enxergam nada além de números, oportunidades, painéis, fortunas e que, perdem muitas vezes o foco da vida. Também uma boa estratégia.
  3. Regard-caméra – A técnica de se olhar direto para a câmera e conversar com o espectador – que já foi um tabu no cinema clássico, mas que há muito deixou de ser – é usada e abusada por McKay. Mais uma vez, uma ótima estratégia para tornar o filme mais leve, mais didático e mais palatável. Mas até aqui já são três ferramentas usadas. E ainda não acabou.
  4. Inserções de cenas não-diegéticas – Inserção de cenas de efeito retórico, não pertencentes ao enredo do filme, que interrompem a narração para agregar-lhe um caráter didático. A primeira, com uma belíssima loura na banheira – no caso, a atriz australiana Margot Robbie – tomando champanhe (achei de péssimo gosto); a segunda, com o famoso chef americano Anthony Bourdain, ensinando a como reaproveitar ingredientes; e a terceira com a atriz/cantora pop Selena Gomez e o respeitado economista Richard Thaler, professor na Universidade de Chicago. Recurso também super válido para cumprir o objetivo de tornar o filme mais inteligível e divertido e, sem dúvida, até agora, o mais original deles.
  5. Inserção de imagens fixas (subjetivas ou explicativas) – Espécie de flashes compostos de imagens fixas que se intercalam com as imagens em movimento (cenas) e que introduzem pensamentos, delírios, sonhos, etc. Recurso bastante usado nos anos 90, sobretudo nos videoclips, mas também no cinema, e que, apesar de datados, também podem ter seu valor didático e divertido.
  6. Inserção de elementos animação ou textos sobre as cenas do filme – Estamos aqui diante do sexto recurso para transformar um assunto chato, em algo divertido, interessante e fácil de entender. Mais uma vez, uma ferramenta que tem seu valor. Mas será que ainda precisa????

Isso tudo dito e listado, volto ao meu ponto. Mckay usou, abusou e se lambuzou. Como se o diretor tivesse selecionado vários ingredientes exóticos para fazer uma receita original e tivesse terminado por fazer um “mexidão”. Ficou interessante? Talvez. Rico? Para mim, não. Poderia, ao invés, ter confiado mais na atuação de seu elenco que é, aliás, fantástico – Christian Bale e Steve Carell dão show! – e ter selecionado talvez uns três desses recursos estilísticos.

Provavelmente pese contra mim o fato de se tratar de um tema que desconheço ao extremo e que considero muito complicado e chato. Só que, se o objetivo era torna-lo palatável, divertido e inteligível para leigos, para mim a fórmula não funcionou. No meio do filme já estava torcendo para que estourasse logo a bolha imobiliária americana para eu poder ir embora para casa. Que me desculpe a legião de fãs do filme, que sei que é enorme!

A Grande Aposta está concorrendo em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante para Christian Bale e Melhor Montagem.

Um bom filme PRA PENSAR e PRA QUEBRAR A CABEÇA.

~ by Lilia Lustosa on février 8, 2016.

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