Le Fils du Marchand d’Olives (2011)

Título original: Le Fils du Marchand d’Olives

Origem: França

Direção: Mathieu Zeitindjioglou.

Roteiro: Mathieu Zeitindjioglou, Anna Zeitindjioglou e Thomas Rio.

Com: Anna Zeitindjioglou, Mathieu Zeitindjioglou e a voz de Jean-Claude Dreyfus (narração – animação)

Em tempos de “celebração” dos 100 anos do genocídio armênio, meu comentário hoje é sobre o documentário Le Fils du Marchand d’Olives, realizado em 2011, pelo franco-armênio Mathieu Zeitindjioglou (o sobrenome complicado foi “turquificado” por seu avô durante o genocídio com o intuito de sobreviver). le_fils_du_marchand_d_olives

Um filme que choca pela crueza de suas imagens e pelo conteúdo denso dos depoimentos.

Em termos estéticos, no entanto, o filme deixa um pouco a desejar. Tirando a animação que introduz a história – bem interessante, compondo uma bela alegoria que ajuda a entender as angústias e as motivações do diretor – o restante é filmado de maneira quase amadora, sem auxílio de grandes aparatos tecnológicos. Aqui e ali intervém uma animação à la anos 90 e pronto.

Mas o belo não parece ser em nenhum momento o objetivo de Mathieu Zeitindjioglou. O que ele quer, na verdade, é entender, e nos fazer entender, o que de fato aconteceu naqueles anos, para, assim, revelar ao mundo a real situação do povo armênio naquele distante 1915. E também (talvez principalmente) para, assim, poder se libertar do sentimento de culpa e de remorso (pele de lobo) que o persegue e persegue sua família há três gerações.

Neto de um fugitivo do genocídio armênio, o diretor, depois de seu casamento com a polonesa radicada na França, Anna, resolve partir para Turquia em busca de suas origens. Os dois iniciam, então, uma road trip, indo de Istambul, passando por Erzorum e indo até a cidade de Ani, no leste do país, antiga capital do reino Armênio. Uma viagem que acaba ganhando contornos de enquete policial, com entrevistas feitas com câmera escondida, e com informações sendo negadas pelos entrevistados.

O mais curioso é o período escolhido para esta viagem-filme: a Lua de Mel do casal. O que não deixar de trazer uma certa leveza ao documentário, já que  quem o conduz com passos firmes é a própria noiva, com sua voz forte, seu jeito determinado, descontraído e objetivo. É ela que se expõe, que aparece na tela, que pergunta, instiga, enfrenta… Mathieu fica mais nos bastidores, por trás da câmera, talvez por medo de se expor enquanto armênio em uma Turquia até hoje relutante em reconhecer a morte de tantos armênios. Talvez por vergonha de ter “abandonado” seu povo,  tendo que vestir a « pele » do inimigo a fim de sobreviver (sobrenome armênio “turquificado”).

O filme tem, por fim, um formato de diário de viagem, com tomadas simples, amadoras, sem preocupações com luz, ângulo, etc. A linguagem é simples e direta. Algumas passagens são pesadas, densas, outras mais leves, divertidas. Um filme de contrastes, mas consistente e bem equilibrado, que informa e choca por suas constatações e pela falta de respostas.

PRA SE ANGUSTIAR. PRA APRENDER.

~ by Lilia Lustosa on avril 26, 2015.

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