Os Croods (2013)

Veja aqui o trailer!

Título original: The Croods     The-Croods-imagem-600x340

Origem: EUA

Diretor: Chris Sanders, Kirk De Micco

Roteiro: Chris Sanders, Kirk De Micco

Com as vozes de: Nicolas Cage, Ryan Reynolds, Emma Stone, Catherine Keener, Chris Sanders

Há tempos não via um filme de animação tão lindo, encantador e “redondo”!

Grande fã que sou de animação, sobretudo com a assinatura Pixar, há alguns anos, desde Toy Story 3 (2010), venho esperando um filme que me embale, que me toque tanto como Up (2009) me tocou, ou como Wall-E (2008), ou Nemo (2003). Mas, ultimamente, nada!

Vieram Como treinar seu dragão (2010), da DreamWorksRio (2011), da BlueSky e Rebelde (2011), da Pixar – que são fofos, lindinhos, mas não encantam! Falta-lhes algo! Um não sei o quê que costumo chamar “poesia”.

No ano passado, o filme de animação americano que mais me chamou a atenção foi Detona Ralph, que, apesar de um tema nada “poético” (jogos eletrônicos), surpreendeu-me positivamente, tocando-me mais do que seus concorrentes.

Mas, eis que neste ano, quando já estava um pouco desencantada com a animação americana, o estúdio DreamWorks me fez “ver estrelas” de novo, ou mais precisamente, “faíscas de fogo”!

Com uma história de base filosófica – o mito da caverna de Platão – Os Croocs encanta pela simplicidade  do roteiro e pelo equilíbrio perfeito entre o humor e a poesia.

O filme é composto por diálogos inteligentes, sem cair no exagero, no piegas, nem nas piadinhas sem graça que costumam se reproduzir em progressão geométrica nos filmes de animação destinados ao público infantil.

A história se passa na Pré-História, numa época em que o Planeta Terra era habitado por feras terríveis e por homens que ainda caminhavam nas “quatro patas”. Bom, pelo menos, é o caso da família em destaque no filme: Os Croods.

Uma família unida, composta por Grug (Nicolas Cage) pai-grandalhão-forte -chefe-protetor, Ugga (Katherine Keener) mãe-mais-ou-menos-submissa-sensata-protetora, Eep (Emma Stone) filha-forte-rebelde-curiosa, Thunk (Clark Duke) filho-medroso-submisso-não-muito-inteligente, Sandy (Randy Thom) filhinha-corajosa-forte-esquisita e por Gran (Cloris Leachman), uma avó-sogra-imortal-implicante-divertida.

Os seis vivem “felizes” em uma caverna que os protege, abriga e esconde dos perigos (e prazeres) terrenos. O pai, líder do grupo, prega o medo como o melhor aliado à sobrevivência, incentivando todos a sempre temerem o desconhecido e a acreditarem que o novo é um mal a ser evitado.

Acontece que a jovem rebelde Eep, insatisfeita com o que o pai chama de vida, se questiona sobre a razão da existência. Para quê existir se o objetivo é ficar eternamente confinado na escuridão e na ignorância do mundo ? É nada ver, nada experimentar, nada conhecer?

Uma noite, ao observar uma luz estranha vindo de fora, ela sai da caverna sem a permissão do pai. Vê sombras assustadoras nas paredes rochosas do canyon em que vivem. Assustada, mas ardendo de curiosidade, ela segue em frente e descobre Guy (Ryan Reynolds), um humano, jovem como ela, mas que, ao contrário de Eep, vive só e  solto pelo mundo, fora das cavernas. Um andarilho esquisito que persegue a luz do sol com o objetivo de chegar ao “amanhã” e que a apresenta à beleza e à magia do fogo.

Guy é um visionário e diz a Eep que eles têm de fugir dali, pois o mundo como eles conhecem vai acabar. A terra vai tremer, fendas profundas vão se abrir, fogo e lava vão destruir tudo e o mundo vai mudar.

Eep não pode partir com Guy, pois não quer deixar sua família para trás. Seu pai, claro, não acredita em nada do que ela fala e vê ali um perigo gigantesco. No entanto, as previsões de Guy acontecem. E os Croods, depois de terem sua caverna destruída,  são obrigados, contra a vontade de seu chefe, a fugir e a se lançarem numa viagem sem destino, rumo ao desconhecido.

Começa aí, então, um road-movie de animação (sem as roads, claro!) – estilo A Era do Gelo, mas com infinitamente mais magia e poesia – com paisagens que variam, novos personagens que surgem e se incorporam ao grupo e grandes descobertas pessoais e mundanas, interiores e exteriores, físicas e espirituais.

Algumas sequências são de tirar o fôlego, quer seja pela beleza visual, pela beleza da mensagem ou pelo ritmo, montagem e excelente uso do 3D.

A sequência da caça, por exemplo, no início do filme, é fantástica, acelerada, tensa e divertida. Sentimos toda a tensão dos personagens. Estamos com eles correndo, tentando chegar de volta à caverna. Composta de planos filmados de ângulos diversos, esdrúxulos, loucos, faz lembrar a sequência inicial de Toy Story 3, que nos enche igualmente de adrenalina e nos fisga a atenção nos primeiros minutos do filme.

A sequência da Terra se abrindo, quebrando, transformando-se é, por sua vez, intensa, assustadora, super bem feita! A sensação que temos é a de que os pedaços vão cair em cima de nós. Percebemo-nos, então, encolhendo na poltrona do cinema, tentando desviar das pedras que caem.

Já a cena de Eep usando a concha para chamar o pai, mais para o final do filme, é suave, delicada, linda, linda, linda (quero ver quem resiste a derramar algumas lágrimas)! Sem falar de tantos outros momentos do filme em que a poesia toma conta, com faíscas de fogo dançando bem em frente aos nossos olhos, ou com a luz invadindo a cena e a nossa alma!

Ahhhh, se você é uma alma sensível à beleza e à poesia, criança ou adulto, não importa. Não se iniba pelo fato da sala estar repleta de criancinhas. Saia da caverna, corra ao cinema e deixe-se deliciar pelas aventuras dessa família divertida, desajeitada, unida e que tem muito a nos ensinar!

Um filme PRA SE DIVERTIR e PRA SE ENCANTAR.

~ by Lilia Lustosa on avril 16, 2013.

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