Au Bout du Conte (2013)

Veja aqui um dos teasers do filme!

Título original: Au Bout du Conte     au-bout-du-conte-06-03-2013-11-g

Origem: França

Diretora: Agnès Jaoui

Roteiro: Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri

Com: Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri, Agathe Bonitzer, Arthur Dupont,

Encantador, mágico, leve, inteligente, divertido e feliz!

Au Bout du Conte é um conto de fadas pós-moderno que trabalha conceitos sérios por meio da fantasia.

Com direito a Cinderelo (sim, no masculino mesmo, pois aqui quem perde o sapato é o “príncipe”!), vizinho-lobo-mau-charmoso, tia-fada-madrinha, mãe-madrasta-plastificada, espelhos, relógios, florestas e muito mais, o quarto filme da diretora Agnès Jaoui, uma vez mais co-escrito com Jean-Pierre Bacri, é um presente para os olhos, para os ouvidos e, sobretudo, para o coração.

A impressão que se tem é que o duo Jaoui-Bracri se divertiu um bocado ao compor seu novo filme-conto, não se prendendo aos padrões clássicos de mise-en-scène.

Com uma estética dinâmica, lúdica, divertida e trabalhada ao esmero, Au Bout du Conte nos coloca dentro de um universo surreal, fantástico e cheio de incoerências – igualmente presentes em nosso mundo pós-moderno – por meio de grafismos tirados dos livros de histórias infantis, vários usos de câmera lenta, zooms exagerados, lentes que destorcem a imagem, montagens propositadamente artificias e muito mais. Um filme que confronta o tempo todo realidade e fantasia, razão e fé, ceticismos e crenças.

A história se passa na Paris de hoje. Laura (Agathe Bonitzer) é uma menina rica, romântica, filha de um empresário poderoso, acusado de poluir a cidade com suas fábricas, e de uma mãe (madrasta), obcecada pela beleza e pela juventude. Refém de seu mundinho de princesa, aos 24 anos de idade, a menina sonha ainda em encontrar seu príncipe encantado. Como fiel escudeira, ela conta com uma tia-fada-madrinha liberal, Marianne (Agnès Jaoui), uma mulher de meia-idade, professora de teatro para crianças, que continua acreditando na possibilidade de se tornar atriz profissional.

Eis que um belo dia, em um baile, Laura conhece Sandro (Athur Dupont), jovem músico de classe “raladora”, filho único de Pierre (Jean-Pierre Bacri), proprietário de uma auto-escola, homem altamente pragmático, cético, ateu, que não crê em absolutamente nada (ou quase!). Um péssimo pai a quem só cabe prover o sustento da família e mais nada.

Os dois – príncipe e princesa – mal se vêem e logo se apaixonam. Começam a dançar, dançar, rodopiar, numa sequência típica (parodiada) de conto de fadas, e esquecem-se do mundo em volta deles. O relógio anuncia a meia-noite e ele tem de sair correndo para buscar sua mãe, que trabalha até meia-noite em um bar de nome Unicórnio. Sem poder explicar nada à princesa Laura, o príncipe Sandro sai correndo e perde seu sapatão nada charmoso na escada abarrotada de jovens que sobem para o baile.

A partir daí é dada a largada para um filme cheio de fantasias e dramas, com zilhões de referências a um monte de contos de fadas (Chapeuzinho, Cinderela, Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve, etc.), mas que trata de maneira leve e bem humorada sobre crises existenciais diversas, vividas pela rica fauna de famílias pós-modernas que compõem a nossa realidade. Crianças somatizando sofrimentos, adultos tentando superar traumas, culpas, medos ou, simplesmente, querendo administrar suas próprias angústias. E lobos-maus que surgem no meio de nossas florestas de pedras, colocando-nos no “mau caminho”.

Tudo isso acompanhado por uma trilha sonora de primeira qualidade, assinada por Fernando Fiszbein, e que segue o filme perfeitamente em sua alternância constante entre fantasia e realidade. Interessante notar a associação da música eletrônica ao personagem do Lobo-Mau, interpretado com muito charme por Benjamin Biolay.

No fim das contas, Au Bout du Conte* é um filme que revisita o tradicional “E viveram felizes para sempre”, apresentando-nos um Final Feliz mais adequado ao nosso conto de fadas de hoje. Um filme PRA SE DISTRAIR.

* “Au bout du compte” é uma expressão em francês que significa “no fim das contas”. O título do filme é, porém, “au bout du conte”, que significa, por sua vez, “no fim do conto”. Um jogo de palavras simples e divertido para um filme que joga com o que, no fim das contas, realmente conta no nosso conto pessoal de cada dia.

~ by Lilia Lustosa on mars 23, 2013.

3 Responses to “Au Bout du Conte (2013)”

  1. POr favor, me dê informações sobre a trilha sonora! Não acho em lugar nenhum! Quero saber qual a musica que toca quando eles estão procurando Laura.

  2. Eu queria saber quais são as duas músicas que tocam na boate!!! Uma espanhola e outra de língua inglesa, alguém sabe me dizer?

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