Gravidade (2013)

Veja o trailer aqui!

Título original: Gravity  gravity-movie

Origem: EUA

Diretor: Alfonso Cuarón

Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonas Cuarón,

Com: Sandra Bullock, George Clooney,

Ao perguntar a um amigo americano sua opinião sobre Gravidade, o último filme de Alfonso Cuarón, sua resposta foi curta e simples: “Wow!”

Em princípio, achei curioso seu comentário, mas, hoje, após assistir ao filme, entendo perfeitamente sua interjeição.

Gravidade é de fato um filme WOW!

Um filme que revoluciona a questão espacial, que tira-nos completamente do eixo. Não estamos mais na vertical, nem na horizontal… a câmara mexe o tempo todo, gira de um lado para o outro, de cima para baixo, de baixo para cima, deixa-nos meio zonzos… Os atores tampouco estão na posição em que estamos acostumados a vê-los. Estão de cabeça pra baixo, de lado, de costas, de frente… os objetos voam, flutuam, não têm um lugar certo. Tudo parece fora de órbita.

O uso exaustivo de closes, associado à técnica do 3D, aproxima-nos ainda mais dos personagens. Estamos grudados neles, estamos no espaço com Sandra Bullock e George Clooney. A sensação é quase de estarmos em um daqueles simuladores da Disney. Nosso coração bate forte, nossa respiração passa de ofegante a quase ausente numa fração de segundos. Tudo é intenso!

A trama em si, porém, é bem simples. A equipe composta pela doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) , Matt Kowalski (George Clooney) e Shariff (Phaldut Sharma), tem como missão consertar uma peça em pane na estação espacial norte-americana. Tudo parece caminhar (ou flutuar) bem, até que eles são avisados de que devem abortar a missão, em função de uma tempestade de escombros, provocada por um míssil russo que se chocou com um satélite. A calmaria e a paz da solidão do espaço são então substituídos pela agitação de uma catástrofe. Dra. Stone e Matt Kowalski ficam então perdidos, à deriva, soltos no espaço.  A partir daí tem-se início a uma luta frenética pela sobrevivência, numa montagem bem ritmada, capaz de prender-nos do início ao fim, mesmo com o elenco bem minimalista.

George Clooney e Sandra Bullock são os personagens principais e praticamente os únicos atores do filme. Fora uma ou outra voz (vindas via computador), o show é todo por conta deles. Nem Houston se faz tão presente nesta saga espacial norte-americana. E os dois conseguem segurar bem o filme. Sobretudo, Sandra Bullock, que leva, sozinha, uma boa parte de Gravidade.

Interessante notar que o filme não nos apresenta nunca o que está acontecendo do outro lado do mundo, ou melhor, do lado da Terra. Estamos o tempo todo no espaço, junto com os únicos-atores-principais. Cuarón optou, assim, pela simplicidade, dispensando flash-backs, flash-fowards, grandes elipses ou qualquer outros figuras de narração. O filme todo se passa ali no espaço, seguindo a linearidade do tempo. Não temos, portanto, escolha, nem escapatória. Temos que viver a experiência com eles, temos que sofrer com eles, nossos corpos presos nas cadeiras de cinema, enquanto nossas mentes vagueiam pelo universo. Sem refresco!

Nossa visão é também constantemente interpelada pela beleza escandalosa do cenário. A terra está bem diante de nossos olhos, linda, colossal, assustadora, sublime! A 3D é muito bem usada, ajudando-nos a adentrar o universo sideral.  A sequência em que a Dra. Stone “dança” no espaço com um extintor de incêndios é uma homenagem explícita ao robô Wall-E, em sua dança espacial com EVA.

A audição também é convidada a participar da experiência, por meio de um trabalho de som irrepreensível. A alternância entre barulhos altíssimos e silêncios totais mexem com nossos sentimentos e com nosso cérebro que tenta se acostumar com as mudanças de paradigma que o filme propõe.

E por falar em quebras de paradigmas, vale ressaltar a participação da China no roteiro deste filme norte-americano. Estávamos tão acostumados a ver sempre a Rússia como grande concorrente dos EUA na corrida espacial – e ela continua lá, obviamente – mas agora, a grande potência China também se faz presente e tem papel fundamental no filme. Ela é o quesito apaziguador, quer seja por meio da figura de um buda no “console” da nave, ou ainda pela canção de ninar cantada via rádio…

Para não me alongar demais, e para não dizer que o filme beira a perfeição, a penúltima sequência de Gravidade é, ao meu ver, totalmente dispensável. Uma angústia desnecessária e exagerada.

Fora isso, Gravidade é sim um grande filme, além, de ser uma experiência sensorial de primeiro porte.

Um filme PRA SE ANGUSTIAR e PRA SE ENCANTAR.

Conselho: Assista a esse filme no cinema, em 3D, se possível num Imax. Vale cada centavo gasto!

~ by Lilia Lustosa on outubro 27, 2013.

3 Responses to “Gravidade (2013)”

  1. Assisti ao filme há coisa de 2 semanas atrás. Concordo com o que vc menciona.
    Sobre as filmagens, li que o Cuarón gravou as cenas de “flutuação” da Sandra Bullock em uma caixa preta, onde a atriz era pendurada por um guindaste que reproduzia os movimentos na gravidade zero.
    Além da cena do extintor, outras referências que percebi foi uma cena em que ela se encolhe após retirar o uniforme espacial. Dá para ver, por trás a escotilha, com a Terra e, ao mesmo tempo, os tubos, cabos de conexões, configurando um útero materno. Muito interessante. Outro, foi, já no final, quando no retorno, ela, já em terra, levanta e olha para o céu, vendo os destroços da estação chinesa caindo. Lembrei-me, aí, de “2001…” e os macacos.
    O filme ainda está em cartaz.
    Vc viu “12 years a slave” e “the butter” ? Está se falando muito bem sobre estes dois filmes.
    Bye.

    • Andréa, há tanta coisa que deixei de falar nesta resenha… poderia ter desenvolvido muito mais, sem dúvida. Trata-se de um filme de ficção científica bastante filosófico. Tem toda a questão da reflexão sobre a vida e sobre a morte, sobre a espiritualidade, a fé, as diferentes religiões apresentadas (ortodoxa, com o São Jorge, o budismo, e mesmo o ateísmo…), todas levando a uma mesma direção. E sim, a cena da Sandra Bullock dentro da nave, em posição fetal, como se estivesse no útero materno, é absolutamente divina! Linda, linda, linda! Ainda não vi nem “12 years a slave”, nem “the butler”. Ando meio devagar nos filmes ultimamente por conta do doutorado… “The butler” estava passando, mas não consegui nenhum horário para ir ver. Já o outro, acho que ainda não chegou por aqui… Quando assistir, entro em contato pra gente discutir. Beijos e obrigada por seu olhar, sempre tão atento e construtivo. Lilia

  2. […] de Gravidade, (leia o post aqui) que contava com um elenco super enxuto – basicamente George Clooney e Sandra Bullock, sendo que […]

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