As Sessões (2012)

Veja aqui o trailer do filme!

Título original: The Sessions  url1

Origem: EUA

Diretor: Ben Lewin

Roteiro: Ben Lewin

Com: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy

Eis aqui mais um filme da chamada “indústria independente americana” que cresce a passos largos, ocupando uma fatia cada vez maior na grande indústria cinematográfica dos EUA, invadindo pouco a pouco a poderosíssima indústria comercial hollywoodiana.

O novo filhote do diretor polonês naturalizado australiano Ben Lewin é forte e impactante, tratando de maneira leve, delicada, honesta e direta, de um tema ainda tabu – sexualidade dos deficientes físicos – sem jamais cair na vala do sentimentalismo barato, nem da pornografia!

O filme transpõe para o cinema o relato do poeta e jornalista Mark O’Brien – paralisado do pescoço para baixo em função de uma poliomielite na infância – publicado em forma de artigo pela revista americana Sun em 1990.

Embora preso a seu próprio corpo e a um pulmão de ferro (ele passa boa parte de seu dia e todas as suas noites em uma engenhoca digna de Julio Verne), O’Brien (brilhantemente interpretado por John Hawkes) começa a se questionar sobre a sua condição de virgem e a imaginar como seria poder vivenciar os prazeres da carne. Coincidentemente, na mesma época, ele recebe uma proposta para escrever um artigo sobre a sexualidade dos deficientes e, para tanto, é obrigado a entrevistar pessoas a fim de aprender sobre suas experiências e vivencias sexuais. Situação que lhe constrange um bocado, em função de sua condição de virgem e, sobretudo, de católico praticante – esse ser eternamente culpado –  mas que, ao mesmo tempo, lhe desperta ainda mais o desejo sexual.

Durante sua pesquisa de campo, ele acaba conhecendo Cheryl (Helen Hunt), uma terapeuta sexual, casada e mãe de família, que aceita trata-lo com o objetivo de faze-lo conhecer seu próprio corpo, explorando suas zonas de prazer.

Para tomar a decisão de fazer a terapia, O’Brien resolve, no entanto, primeiro se confessar com seu padre de confiança, Padre Brandon (William H. Macy), e pedir sua benção. O padre  é extremamente liberal, aberto e entende a situação do jornalista, dando-lhe sua benção e até rezando com ele. Este é, aliás, um ponto bem interessante do filme. Poucas vezes a igreja católica foi representada de forma tão positiva como em As Sessões, apresentando-nos um padre sensato, aberto, interessado e presente na vida de seus fiéis. Daquele tipo que a Igreja Católica está precisando “reproduzir”.

A questão religiosa é, na verdade, abordada constantemente pelo filme, já que cada novo passo do protagonista corresponde a uma nova confissão, em uma série de cenas pra lá de divertidas, com diálogos interessantíssimos entre “pecador” e confessor. O roteiro, também assinado por Lewin, é, aliás, repleto de diálogos inteligentes, de humor afiado, e de grande sensibilidade, alternando momentos divertidos com momentos sérios, ironia com franca exposição da alma.

Para seu filme, Lewin optou por uma mise-en-scène clássica, descomplicada, sem novidades, porém sensível, elegante, mostrando apenas o suficiente para a boa compreensão do enredo. Apesar de direto e explícito, com muitas cenas de intimidade entre o casal Cheryl-O’Brien, o filme não passa nem perto do gênero pornô. Tudo é feito com muito respeito e com a distância necessária.

O diretor – ele próprio também vítima de poliomielite – poderia certamente ter se aprofundado um pouco mais sobre cada personagem. Acabamos pouco sabendo sobre os enfermeiros que cuidam de O’Brien, sobre sua família ou mesmo sobre seu futuro relacionamento. Mas este não parece ser o objetivo do filme. A grande questão é mesmo a sexualidade dos deficientes físicos e a descoberta do prazer carnal sem culpa. Sendo talvez a “culpa” a grande protagonista dessa história, já que ela é a causadora de muitos problemas de relacionamento, afetando uma grande parte da humanidade – deficiente físicos ou não – que padece para aceitar o sexo como algo natural e não como um pecado.

As Sessões nos faz, de certa maneira, lembrar de Intocáveis (2011) – filme francês que tanto sucesso fez no ano que passou. Afinal, ambos trazem para a telona histórias reais vividas por deficientes físicos. E apesar de situados em ambientes totalmente distintos, ambos tratam de libertação. De almas que se libertam da prisão de seus corpos para encontrarem a felicidade. No filme francês, a libertação está na descoberta da felicidade por meio da simplicidade, das coisas pequenas da vida. Já em As Sessões ela – a libertação – chega com a descoberta do prazer sem culpa, com a morte do pecador que incutiram em cada um de nós.

Um filme PRA PENSAR.

~ by Lilia Lustosa on abril 2, 2013.

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