Trois Mondes (2012)

Veja o trailer aqui!

Título original: Trois Mondes   

Origem: França

Diretor: Catherine Corsini

Roteiro: Catherine Corsini, Antoine Jaccoud

Com: Raphaël Personnaz, Clotilde Hesme, Adèle Haenel, Arta Dobroshi

Escuro, denso, tenso e humano!

Selecionado, neste ano, para o prêmio “Un Certain Regard”, em Cannes, o filme da diretora francesa Catherine Corsini conta a história de um acidente que une três mundos. Três classes sociais que se esbarram, se tocam, mas não se confundem.

De um lado temos Al (Raphaël Personnaz), jovem ambicioso, filho de empregada doméstica, que, depois de anos de esforço como vendedor de carros, vê-se promovido a sócio da empresa em que trabalha e prestes a se tornar genro do patrão.  De outro, temos Vera (Arta Dobroshi), imigrante moldava, casada com um também moldavo operário ilegal da construção civil, ambos levando uma vida clandestina, cheia de dificuldades financeiras. E, no outro lado deste triângulo, temos Juliette (Clotilde Hesme), estudante de medicina, grávida, pertencente à classe média alta francesa.

Os três levam vidas paralelas até o dia em que Al, vindo de uma farra em que comemorava com os amigos sua ascensão social, atropela um transeunte e foge sem dar socorro. A vítima era o marido de Vera. Fato que passaria despercebido não fosse a presença de Juliette no alto de sua janela. A moça, estudante de medicina, ao perceber que o carro-algoz havia desaparecido, desce em socorro à vítima.

A partir daí, Juliette, por amor à futura profissão ou por pura solidariedade, vai se envolver cada vez mais com este acidente, aproximando-se da vítima e do culpado, até o ponto de ela própria se meter em uma grande enrascada. Isso porque, ao desvendar a identidade do motorista fugitivo, ela descobre também um homem de bom coração e não um canalha, como havia imaginado. Um homem fraco, sem dúvida, totalmente estraçalhado por sua própria atitude e por sua falta de coragem de assumir o crime.

Assim, com um enredo que lembra bastante 21 Gramas (2003) – sem, no entanto, nunca atingir o brilhantismo do filme de Iñárritu – a trama de Trois Mondes, que é contada de forma linear (aliás, bem diferente de 21 Gramas), vai se aprofundar justamente no drama interior vivido pelo autor do crime, fazendo-nos, assim, enxergar pelos olhos de um homem que errou gravemente, tendo plena consciência de sua culpa e dos desdobramentos de seus atos, mas sem forças para sair do buraco. Raphaël Personnaz consegue, aliás, passar-nos muito bem toda a carga dramática da situação, fazendo-nos mergulhar em seu mar de sofrimento, através de seus olhos tão azuis.

Azul também muito presente, em todos os seus tons, nas cenas do hospital, na loja de carros ou ainda nas roupas sempre azuis de Juliette, que, ao fazer o meio de campo entre  vítima e algoz, vai, pouco a pouco, vendo sua ingenuidade ser invadida pela realidade. Seu universo azul-hospital começa a se rachar, abrindo fendas que permitem à entrada da “vida como ela é”. Vidas como a de Vera, imigrante em busca de uma melhor qualidade de vida, invejosa da vida dos países ricos, em que mulheres podem vestir vestidos diferentes a cada dia. Uma jovem amarga, ferida, que deixa aflorar uma grande revolta, um enorme rancor por sua condição de imigrante clandestina, trazendo à tona uma série de questões que perturbam muito a França de hoje.

Assim, com uma mis-en-scène sem grandes novidades, Trois Mondes é um filme sobre a culpa que corrói. Um filme banhado pela escuridão em que às vezes mergulha nossa alma e que nos faz refletir sobre nossas fraquezas, nossos erros e sobre a pressão que sofremos do grupo social a que pertencemos ou queremos pertencer.

Um filme PRA PENSAR.

~ by Lilia Lustosa on dezembro 23, 2012.

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