Ruby Sparks: A Namorada Perfeita (2012)

Veja o trailer aqui!

Título original: Ruby Sparks    

Origem: EUA

Diretor: Jonathan Dayton, Valerie Faris

Roteiro: Zoe Kazan

Com: Paul Dano, Zoe Kazan, Annette Bening, Chris Messina

O filme da dupla (e casal na vida real) Jonathan Dayton e Valerie Faris – mesmos diretores do sensível e divertido Pequena Miss Sunshine (2006) – é excelente!

Banhado no impressionismo francês, com seus tantos maravilhosos planos subjetivos, sobreposições de imagens e sonhos em forma de realidade, Ruby Sparks agrada em cheio, já que agrega a tudo isso a objetividade, a simplicidade e o humor norte-americanos.

Estrelado por um também casal na vida real – Paul Dano e Zoe Kazan: ele o ator que fez o irmão da pequena Miss Sunshine; e ela, escritora, neta do grande diretor Elia Kazan e ainda responsável pelo roteiro do filme – Ruby Sparks é uma história de amor que diverte e encanta ao mesmo tempo. É simples, direto, inteligente e cheio de magia.

O filme conta a história de um escritor prodígio, Calvin Weir-Fields (Paul Dano), que após ter publicado na adolescência um romance de estrondoso sucesso, passa agora por um período sem inspiração, ou de writer’s-block, como dizem os americanos. Além disso, Calvin vive ainda um momento de deserto social, em que, tirando seu irmão Henry (Chris Messina), seu psicanalista Dr. Rosenthal (Elliott Gould) e seu cachorro Scotty, o menino gênio – como não gosta de ser chamado – não se relaciona com ninguém. Ele parece traumatizado pelo rompimento de um relacionamento de 4 anos com a bela Lila (Deborah Ann Woll), logo após a morte de seu pai.

A vida de Calvin parece se encaminhar, assim, para um buraco sem fim, ele se enrolando cada vez mais em seu próprio umbigo, não conseguindo enxergar nenhuma solução viável para seu isolamento. Eis que seu psicanalista lança-lhe, então, um desafio: escrever uma página – uma única página – descrevendo o que seria para ele a mulher ideal, aquela por quem ele iria se perder de amor, alguém que pudesse ser sua companheira para vida.

Assim nasce Ruby (Zoe Kazan), uma menina longilínea de cabelos vermelhos, que se veste sempre com roupas coloridas e divertidas, contrastando com o mundo monocromático de Calvin.

O escritor-prodígio, inspirado por sua musa, entra, então, em uma fase positiva, escrevendo compulsivamente e sonhando a cada noite com sua Ruby idealizada. Seus sonhos são tão perfeitos e tão reais que ele se sente apaixonado verdadeiramente por sua personagem.

Tudo caminha de vento em popa até o dia em que objetos femininos de cores fortes começam a aparecer inexplicavelmente em seu apartamento branco. Primeiro, um soutien vermelho, depois uma calcinha violeta, creme para raspar pernas e, finalmente, Ruby! Sim, elazinha mesmo de carne e osso, em sua cozinha, preparando ovos para o café da manhã.

Será Ruby real ou fantasia? Loucura ou sonho realizado?

E vai ser, então, por essa via surrealista que o filme vai se enveredar, apoiando-se, sobretudo, em evidentes influências do impressionismo francês. A começar pelos inúmeros planos subjetivos e as imagens distorcidas que refletem a própria psiquê do personagem. Vide a primeira cena do filme, em que um vulto nos aparece em uma imagem banhada de uma luz laranja misteriosa e se dirige a nós, espectadores (e ao personagem principal), em leve plongée, até ir devagarinho ganhando foco.

Impressionistas também são as sobreposições de planos, como no caso da projeção dos sonhos no teto da sala do psicanalista, sequência em que vemos, ao mesmo tempo, as imagens do sonho de Calvin e a do aquecedor ou ar-condicionado do teto.

Sem falar na questão diretor-autor, tão defendida pelos impressionistas, em que o diretor do filme deve ser também o escritor, para que seja de fato o dono da história. Em Ruby Sparks, o personagem principal é escritor, autor e dono de sua própria história. Ele escreve, dirige, atua, decide. E, ironicamente, sua criação – a idealizada Ruby – é interpretada pela real escritora do roteiro do filme, Zoe Kazan.

E para completar a influência francesa, a trilha sonora do filme, assinada por Nick Urata, é repleta de canções em francês. De muito bom gosto, diga-se de passagem!

Ruby Sparks é, assim, um filme de perfeito equilíbrio, que mistura o clássico e o moderno, a intelectualidade francesa e a descontração americana, a máquina de escrever Olivetti e o computador Mac. Um filme capaz de nos fazer rir e de refletir ao mesmo tempo. Que nos faz pensar na nossa mania que querer mudar as pessoas ao nosso redor, achando que assim encontraremos a solução para nossos relacionamentos. Um filme que nos lembra que o ideal nem sempre é o melhor, pois ele pode simplesmente não existir. O melhor mesmo é vivermos a magia do amor, com todas as idissincrasias que lhe são intrínsecas!

Um filme PRA SE DISTRAIR e PRA PENSAR.

~ by Lilia Lustosa on outubro 14, 2012.

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