Valente (2012)

Veja o trailer aqui!

Título original: Brave   

Origem: EUA

Diretor: Brenda Chapman, Mark Andrews

Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews

Com as vozes de: Kelly MacDonald, Emma Thompson, Billy Connolly

Em um inverno pra lá de morno em termos de filmes de animação, com alguns repetecos como a Era do Gelo 4 e Madagascar 3, cheios de piadinhas mil vezes vistas, ou ainda de enredos não tão bem desenvolvidos como o Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida, os estúdios Pixar chegam com todo o brilho para encantar nossos olhos e aquecer nossos corações.

Depois de um não tão convincente Carros 2 em 2011 – um filme-brincadeira-de-menino – neste ano os gênios da Pixar viram a página e nos presenteiam com seu primeiro “conto de fadas” estrelado por sua também primeira protagonista feminina. Uma princesa rebelde, determinada, independente com uma longa cabeleira ruiva, com cachos que balançam aos ventos de uma tecnologia de ponta.

O filme é um show de encantamento, de originalidade, de competência técnica, de beleza e candura!

Trata-se de uma história de amor sim, mas não daquelas que estamos acostumados a ver nos contos de fadas tradicionais. Tampouco como as dos contos repaginados que vêm ganhando as telonas nos últimos tempos – Espelho, Espelho (2012), Alice no País das Maravilhas (2010), etc… O amor tratado neste filme é um ainda maior, talvez o maior de todos eles: o amor de mãe. Esse sentimento tão grande, genuíno e infinito, que é capaz de vencer o egoísmo,  de perdoar, de se doar, de se entregar totalmente, dispondo-se a sofrer ou de morrer no lugar do outro. Talvez um tipo de amor só visto antes na Pixar em Nemo (2006) e que agora nos chega em sua versão feminina, emoldurado por um conto de fadas original e divertido.

A trama se passa na Escócia antiga, num reino feliz, verdinho, sem madrastas malvadas, nem grandes desgraças. Uma vida alegre em que um rei e uma rainha bem casados criam seus quatro filhos com amor. São eles Merida (Kelly Macdonald), a primogênita, e os trigêmeos pestinhas. Merida é uma jovem inteligente, de espírito rebelde e inventivo. Uma arqueira de mão cheia que não se curva diante de nenhum menino e que não é lá muito chegada em espartilhos, cabelos penteados nem regras de etiqueta. No entanto, como é de praxe, e por ser a primeira na linha de sucessão, desde pequena Merida vem sendo educada por sua mãe (na voz de Emma Thompson) para um dia se tornar rainha.

As duas vivem por isto uma relação delicada: a mãe tentando enquadrar a menina em todas as regras exigidas, a fim de que ela se transforme em uma grande rainha e esposa; e a menina tentando convencer a mãe de que não nasceu para isso e de que as coisas não precisam ser exatamente como manda a tradição. E é aí que vai morar todo o problema do filme. Vendo-se obrigada a casar com um dos príncipes dos reinos vizinhos, Merida foge para a floresta e encontra uma bruxa para quem revela seu desejo profundo de transformar sua mãe em uma mãe diferente. E para seu desespero, seu desejo é atendido e sua mãe é transformada em um ser que vai assustar todo o reinado, correndo o risco de ficar assim para sempre.

A história é ingênua, fantástica, mas até bem “plausível”, “real”. Afinal de contas, quem nunca teve vontade de transformar um dia sua mãe em uma mãe diferente a fim de ter um não transformado em sim?

Os diálogos, como já é tradição na Pixar, são bem escritos e tendem à originalidade, sem piadinhas prontas ou fáceis. Enquanto algumas falas fazem os pequenos gargalharem, outras levam os adultos a mergulharem em um mundo de reflexões e de emoções que podem até se reverter em lágrimas…

Uma ideia simples, fruto de uma imaginação infantil, e que a Pixar reveste de encanto, magia e muita tecnologia, transformando-a em duas horas de divertimento, prazer, beleza, emoção, com toques de poesia.

Um filme PRA SE DIVERTIR e PRA SE ENCANTAR, a não deixar de ver. Com ou sem crianças.

~ by Lilia Lustosa on agosto 13, 2012.

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