A Fita Branca (2009)

Título original: Das weiße Band       

Origem: Alemanha

Diretor: Michael Haneke

Roteiro: Michael Haneke

Com: Christian Friedel, Ernest Jacobi, Leonie Benesch

Já que estou publicando o “Filme da Semana” com atraso, devido ao fato de estar em trânsito, resolvi aproveitar o embalo e escrever sobre um filme de 2009, que só ontem tive a chance de assistir: “A Fita Branca”, de Michael Haneke.

Ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2009, este filme alemão, rodado em preto e branco, é austero, profundo, denso, pesado, triste, cruel e de uma elegância e beleza de arrepiar!

A história se passa em um vilarejo no norte da Alemanha, no período pré-I Guerra Mundial. Um local onde a religião católica norteia a vida dos moradores, que são criados de maneira absurdamente severa a fim de evitar as tentações e os pecados. As mulheres e sobretudo as crianças estão em segundo (terceiro, quarto… ou último plano), sendo constantemente mal tratados e humilhados pelos homens. A fita branca – amarrada ao braço ou ao cabelo das crianças – funciona como símbolo da inocência, da pureza, da ausência de pecados, e serve como um lembrete para que se ande sempre no “caminho do bem”, escapando assim das tentações.

A trama nos é apresentada por um dos personagens da história – o professor do vilarejo (Christian Friedel) – que é também o instrutor das crianças no coral da igreja. Ele vai, pouco a pouco, nos apresentando o modus operandi da cidade, assim como alguns de seus personagens principais, nos oferecendo, assim, uma amostra dos diferentes extratos daquela sociedade: as crianças, o barão, o médico, a parteira, um homem do campo, etc.

O professor-narrador – sem nome na história – vai, então, nos relatando atos de violência (ou crimes) que vão sendo cometidos na cidade, e cujos autores são desconhecidos. Nem os personagens nem os espectadores sabem quem são os culpados. Tudo fica no ar, preso a suposições, a suspeitas, a achismos, enchendo assim o ambiente de tensão e de desejo de vingança.

A escolha do preto e branco dá ainda mais peso e mais austeridade à trama. Fora a ausência de música e os inúmeros momentos de silêncio que, perdidos em repetidos planos fixos, longos e muitas vezes vazios de personagens, causam em nós, espectadores, sensações de angústia, raiva, impotência e de total descrença na humanidade.

“A Fita Branca” é um filme que fala de culpa, punição, medo e violência, que vão se perpetuando de geração em geração e que, “por acaso” culminam com uma I Guerra Mundial, deixando traços para o aparecimento do nazismo e de uma II Guerra.

Um filme excelente, lindo e triste de se ver! Super recomendado!

~ by Lilia Lustosa on janeiro 16, 2012.

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